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SÃO PAULO – O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 1,27% em janeiro e ficou 0,31 ponto percentual acima da taxa de 0,96% registrada no mês de dezembro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (5). Trata-se da taxa mensal mais alta para o mês de janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, uma vez que a estimativa mediana em pesquisa Bloomberg era de avanço de 1,1% na comparação mensal.
Com isto, a taxa dos últimos 12 meses ficou em 10,71%, acima dos 10,67% dos 12 meses imediatamente anteriores, constituindo-se no resultado mais elevado desde novembro de 2003 (11,02%). Em janeiro de 2015, a taxa foi 1,24%. A estimativa era de um IPCA acumulado em doze meses de 10,52%.
Os números do IPCA mexeram com os juros futuros. Às 9h22 (horário de Brasília), os DIs curtos, com vencimento em janeiro de 2017 subiam 0,12 pontos percentuais, para 14,66%, enquanto os longos, com vencimento em janeiro de 2021, apresentavam movimento mais expressivo: alta de 0,23 pontos, a 16,19%. Nesse cenário de inflação, subindo mais que o esperado, ao mesmo tempo em que o Banco Central indicava resistência em elevar juros, a imprevisibilidade do cenário para a Selic cresce.
O IBGE destacou alimentação e bebidas, com alta de 2,28%, e transportes, com 1,77%, grupos de maior peso na despesa das famílias, foram responsáveis pela maior parte do resultado do IPCA do mês. Juntos, os alimentos, contribuindo com 0,57 ponto percentual, e os transportes, com 0,33 ponto percentual, tiveram contribuição de 0,90 ponto percentual, detendo 71% do índice. Desde dezembro de 2002, quando o grupo alimentação e bebidas atingiu 3,91%, não havia registro de taxa mais elevada do que os 2,28% deste mês.
No grupo transportes, a alta de 1,77% foi puxada pelo transporte público, que subiu 3,84%, e pelos combustíveis, com 2,11%. A liderança na relação das principais contribuições individuais no IPCA do mês ficou com o item ônibus urbanos, com 0,14 ponto percentual, seguido pelos combustíveis, com 0,11 ponto percentual.
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