IPCA revela inflação de 0,61% em maio, a menor desde junho de 2002

Produtos alimentícios continuam recuando; reajustes de 6,45% nas tarifas de energia elétrica impediram maior desaceleração

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SÃO PAULO – O Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na manhã dessa terça-feira o seu principal índice de preços. O IPCA voltou a mostrar desaceleração da inflação ao consumidor, ao mostrar que o reajuste médio de preços foi da ordem de 0,61% em maio, após ter ficado em 0,97% em abril, apresentando, assim, a menor variação desde junho de 2002, quando foi de 0,42%.

Nos últimos doze meses, o índice acumulou variação de 17,24%, superior aos 16,77% dos doze meses imediatamente anteriores. Interessante notar que o IPCA foi de 0,21% em maio do ano passado.

Inflação maior que o esperado

Vale lembrar que o mercado, segundo pesquisa do Banco Central realizada com cerca de cem instituições financeiras, esperava inflação segundo o IPCA de 0,50% no mês. No acumulado do ano, o índice acumula variação positiva de 6,80%, enquanto nos cinco primeiros meses de maio de 2002 acumulou 2,51%.

Com isso, a inflação a nível do varejo ainda mostra resistência, ao contrário dos preços no atacado, que refletem a forte queda do dólar, como evidenciado pela primeira prévia do IGP-M de julho. O índice calculado pela FGV, divulgado no final da tarde desta segunda-feira, mostrou deflação de 0,47%, principalmente em função da significativa queda dos preços no atacado.

Preço dos alimentos continua desacelerando

Devido ao período de safra, os produtos alimentícios subiram menos em maio, 0,63%, do que no mês de abril, quando subiram 1,01%. Enquanto tomate, hortaliças, frutas, óleo de soja e açúcar cristal apresentaram deflação, o arroz e a batata inglesa, em fase de menor oferta, apresentaram altas.

Dentre os produtos não alimentícios, tanto o gás de cozinha como os remédios apresentaram variação positiva de 0,35%, após terem subido 4,13% e 2,73% respectivamente em maio. Os preços da gasolina caíram 3,38% no mês, como reflexo do repasse da redução nas refinarias.

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Energia elétrica segurou maior queda da inflação

Em contrapartida, o aumento das contas de energia elétrica, que subiram 6,45% em maio após terem subido 3,28% em abril, impediu maior desaceleração da inflação segundo o índice, visto que correspondeu a 0,27 ponto percentual da variação de preços de 0,61% do mês.

Dos onze locais onde o IPCA é calculado, o maior índice regional foi auferido no Recife, 1,82%, principalmente devido aos reajustes das tarifas de ônibus urbanos. Já Curitiba registrou deflação de 0,36%, com o recuo dos preços dos alimentos.