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SÃO PAULO – A alta dos preços no Brasil parece não ceder. Mesmo após sucessivas altas dos juros, as expectativas futuras continuam pressionadas e avançam semana após semana. Na próxima sexta-feira (6) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o resultado para abril do IPCA (Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no País, e as projeções apontam para mais uma alta do índice, que pode estourar o teto da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional) na leitura anualizada (ou seja, do período de doze meses encerrado em abril).
O último relatório Focus seguiu as tendências de suas edições anteriores e mostrou nova alta na mediana das estimativas para o índice, tanto no resultado mensal quanto no acumulado do ano. Segundo o Focus, o IPCA deve apontar inflação de 0,81% em abril, enquanto que para o resultado de 2011, a projeção é de inflação de 6,37%. O CMN tem por meta de inflação 4,5% no resultado acumulado do ano (também chamado de “centro da meta”), com margem de 2 pontos percentuais tanto para cima como para baixo. Em outras palavras, a cada semana de alta nas estimativas a inflação esperada se aproxima deste teto da meta do governo de 6,5%.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, acredita que o índice de abril deve vir “acima do que é compatível com a meta”, pressionado pelo setor de serviços e por questões “conjunturais e estruturais”, marcando alta de 0,80%. Em março, o IPCA marcou elevação de 0,79%. Tombini também afirmou que nos próximos meses a inflação deve superar o teto da meta, de 6,5%, no acumulado de 12 meses e trazê-la de volta ao centro será uma tarefa para 2012 apenas.
A equipe econômica da Rosenberg chama a atenção para o fato de que as expectativas estão evoluindo em um ritmo rápido, chegando a um nível “desconfortavelmente elevado”.
Inflação de alimentos deve cair
No início do ano a preocupação era com a alta de preços dos alimentos, porém, com a evolução dos acontecimentos, o cerne da questão mudou. A inflação de alimentos aponta para um cenário de retrocesso, ao passo em que outros setores começaram a preocupar.
André Perfeito, economista da Gradual, acredita que os indicadores de inflação de alimentos começarão a entrar em uma trajetória de queda. Para ele, a leitura inicial do Governo – colocando o problema como uma questão de oferta – não foi totalmente correta. O IPP (Índice de Preços ao Produtor) reforça a ideia de que os custos para fabricação de alimentos estão recuando, fechando março em queda de 0,59%.
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Mas outros setores estão pressionados
Porém, o cenário não depende apenas dos alimentos. A LCA acredita que as maiores pressões para o IPCA virão do grupo de Transportes, Saúde, Vestuária e Habitação, não descartando alguns alimentos e bebidas.
A expectativa é que haja alta de 1,48% em abril no grupo de transportes, provocada pela alta de 5% da gasolina. Para o grupo de Saúde, a projeção é de alta de 0,94%, pressionada pelo reajuste de até 6,01% no preço de vários medicamentos.
Para o vestuário, a entrada de uma nova coleção e a elevação dos preços de algodão devem levar a uma alta de 1,80% em abril. Por fim, o grupo de habitação deve ser pressionado com alta de 0,81%, devido ao aumento dos gastos com energia elétrica residencial, aluguel e condomínio.
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Projeções
Assim, o IPCA não terá espaço para amenizações e a tendência é de mais pressão para a inflação. A Gradual estimou uma elevação de 0,66% nos preços medidos pelo índice, o que a própria corretora considerou como improvável. Assim, sua expectativa é de alta de 0,80%.
A SulAmérica Investimentos calculou uma alta de 0,83% para a medição de abril. “Confirmada nossa projeção, o IPCA acumularia inflação de 6,57% [em doze meses], superando o teto da meta pela primeira vez desde 2005”, destacou.
Mais pessimista, a LCA aposta em alta de 0,90% para o índice, o que representa uma forte aceleração frente ao avanço de 0,79% em março.