IPCA de junho deve confirmar fragilidade do quadro inflacionário interno

Analistas estimam variação próxima à de maio, alertando para pressões do núcleo, que indica cenário preocupante

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SÃO PAULO – Com o atual quadro de aceleração da inflação, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) referente a junho, cuja divulgação está prevista para esta quinta-feira (10), é um dos indicadores mais aguardados da semana e pode ocasionar reações no mercado financeiro doméstico.

O índice oficial de inflação brasileira, que já acumula alta de 5,58% em 12 meses até maio, serve de parâmetro para o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) balizar suas decisões sobre a taxa Selic.

As crescentes pressões inflacionárias e o aumento da demanda agregada, impulsionada principalmente pela expansão do crédito no Brasil, são as principais preocupações da autoridade monetária, que já deu início ao ciclo de elevação do juro básico do País – hoje em 12,25% ao ano.

“O mercado deverá se debruçar sobre os novos números para calibrar o cenário delineado pelos preços para os meses seguintes, procurando consolidar as apostas quanto aos próximos movimentos da política monetária”, explica em relatório a SulAmérica Investimentos.

Projeções encostam no teto da meta

O IPCA registrou variação positiva de 0,79% nos preços em maio, taxa 0,24 ponto percentual superior à medição anterior (+0,55%). Nesta segunda-feira, o relatório Focus trouxe o décimo quinto aumento consecutivo da projeção do mercado para o índice no acumulado do ano, cujas estimativas médias estão em 6,4%, encostando-se ao teto da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 6,5%.

Para junho, a variação esperada, de acordo com a mediana das expectativas contidas no último relatório Focus, é de 0,75%, o que, caso concretizado, sinalizaria leve arrefecimento das pressões inflacionárias na passagem mensal.

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O que o mercado espera

O Unibanco, em análise dos eventos agendados para esta semana, observa que a curva de juro futuro demonstra taxas mais altas para 2008 e 2009. O banco estima uma alta de preços em 0,8% em junho, praticamente estável à averiguada pelo índice no mês anterior, ainda em patamares elevados.

O banco Schahin destaca a profusão de índices de inflação divulgados nesta semana (cinco ao todo) e alerta para a pressão que o IPCA sofre em seu núcleo – que desconsidera preços de alimentos e energia. Uma alta no núcleo do índice revelaria que a inflação já é sentida na cadeia de produção, e não está mais apenas concentrada nos preços das commodities.

Da mesma forma, o Banco Real estima uma taxa estável para o próximo IPCA, mas alerta para o fato de que há um mês atrás sua estimativa para o índice era de uma elevação de preços de 0,40%. A análise observa, justamente, a piora na inflação de outros segmentos que não energia e alimentos, já apontada pelo último IPCA – 15.

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Expectativas

“Tendo em vista o aquecimento do mercado de trabalho e seu potencial para produzir ajustes de salários mais significativos, o receio do mercado de aumento adicional (ou pelo menos moderação) na inflação dos serviços mais adiante tende a ser realimentado”, adverte o banco.

“Um resultado em linha com as projeções do mercado (0,75% a 0,80%), ainda que mais baixo do que o IPCA-15 do mês (0,90%), continuará refletindo um ambiente de inflação pressionada, contribuindo para a manutenção da trajetória de alta das expectativas inflacionárias”, analisa a SulAmérica. Neste caso, ganharia força a ala do mercado que acredita que o Banco Central deverá aumentar a magnitude do aperto monetário na próxima reunião do Copom.

Também apostando numa elevação mensal de 0,8% para o índice, o Credit Suisse pondera que se a taxa vier abaixo de 0,75% o mercado futuro de juro pode ter algum alívio. No entanto, o banco de investimentos afirma que as surpresas negativas são mais prováveis e, enquanto a demanda agregada não demonstrar sinais de arrefecimento, “o que deve levar mais dois ou três meses”, qualquer melhora no mercado de juro deve ser bastante limitada.