IPCA-15 sobe menos que o esperado e encerra 2025 abaixo do teto da meta

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de alta de 0,27% no mês e de 4,43% em 12 meses

Reuters

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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O avanço do IPCA-15 foi um pouco menor do que o esperado em dezembro, indicando que a inflação oficial no Brasil deve encerrar o ano em torno de 4,4%, abaixo do teto da meta, consolidando um processo de desaceleração dos preços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em dezembro alta de 0,25%, depois de subir 0,20% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Com isso a taxa em 12 meses terminou o ano com avanço acumulado de 4,41%, de 4,50% em novembro, abaixo do teto da meta contínua de 3,0% medida pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

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As expectativas em pesquisa da Reuters eram de alta de 0,27% no mês e de 4,43% em 12 meses.

O resultado em 12 meses mostrou forte desaceleração depois de o IPCA-15 ter chegado a subir 5,49% em abril, marcando o pico do ano. Em 2024 o índice subiu 4,71% no acumulado do ano.

A desaceleração acontece em meio a uma política monetária bastante apertada, com a taxa Selic em 15% para controlar a inflação e o Banco Central afirmando que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação ao objetivo.

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Com o sistema de meta contínua, ela é considerada descumprida se a inflação ficar fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, levando o BC a divulgar publicamente as razões do descumprimento. O IBGE divulga os dados do IPCA de dezembro e do acumulado de 2025 em 9 de janeiro.

Em seu Relatório de Política Monetária divulgado neste mês, o BC apontou que a inflação deverá atingir o centro da meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, permanecendo acima do alvo durante 2027.

“O IPCA-15 confirma um cenário de inflação sob controle, mas ainda longe de confortável, reforçando a necessidade de disciplina monetária e fiscal para 2026”, destacou Pablo Spyer, economista e conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord).

Em dezembro, o grupo de Transportes exerceu o maior impacto positivo com alta de 0,69%, sob pressão do avanço de 12,71% da passagem aérea. Os combustíveis subiram 0,26%, com altas de 1,70% no etanol e de 0,11% na gasolina, enquanto o gás veicular e o óleo diesel tiveram quedas de 0,26% e 0,38%, respectivamente.

Também se destacaram no mês os resultados de Vestuário (+0,69%) e Despesas Pessoais (+0,46%). Os preços de Alimentação e Bebida, grupo de maior peso no índice, tiveram alta de 0,13%, com queda de 0,13% na alimentação no domicílio.

Já no ano a maior variação acumulada foi do grupo de Habitação, de 6,69%, por conta da alta de 11,95% do subitem energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto individual em 2025.

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O segundo maior impacto foi de Alimentação e bebidas, que subiu 3,57%. Somente o café moído teve alta de 41,84% no ano.

Segundo a mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC, a expectativa de especialistas é de que a inflação termine este ano a 4,33%, indo a 4,06% em 2026. Já a taxa básica Selic projetada para o fim do próximo ano é de 12,25%, abaixo dos 15% atuais.

“A expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais fraca, especialmente comparado ao 1° trimestre de 2025, o que permitirá uma desinflação mais acentuada no acumulado em 12 meses, abrindo espaço para o início dos cortes na Selic no 1° trimestre”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito.

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“Ainda vemos como provável o início em janeiro, mas dada a cautela do Copom, não descartamos que o BC opte por retardar o início para a reunião de março”, acrescentou.

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