IPCA-15 desacelera, mas inflação ainda preocupa e BC deve atuar sobre juros

Para HSBC, apesar do resultado de desaceleração, necessidade de um aumento nos juros para conter a inflação permanece latente

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SÃO PAULO – O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro, coletado entre os quinze primeiros dias do mês, mostrou desaceleração da inflação, ao marcar variação de 0,69%, de acordo com dados divulgados na manhã desta terça-feira (21), com a desaceleração de alta dos alimentos. Mas, apesar de sinalizar um cenário mais favorável, a preocupação com a inflação ainda não foi dissipada do cenário brasileiro.

Analistas do HSBC, da LCA Consultoria e da Rosenberg acreditam que apesar de positivo, o IPCA ainda permanece elevado. De acordo com André Loes, economista-chefe do HSBC, a pressão inflacionária ainda é desconfortável, o que irá obrigar o Banco Central a se posicionar com aumento da taxa de juros no próximo ano.

Alimentos dão breve trégua
O grupo Alimentação e Bebidas apresentou certa descompressão, ao passar de uma alta de 2,11% em novembro para elevação de 1,84% em dezembro – abaixo da previsão de 2,1% do HSBC. Isso permitiu que o IPCA-15 mostrasse uma taxa de crescimento menor em relação ao mês de novembro, quando marcou 0,86%. Contudo, para LCA, a oscilação do segmento permanece “salgada”.

Outros grupos contribuíram para a desaceleração, como artigos de residência, comunicação e transportes, que passou de +0,47% para a taxa de +0,17% em resposta à deflação dos automóveis usados e da descompressão dos preços de gasolina e álcool.

Os vilões
As carnes continuaram exercendo pressão de alta no índice e os preços das refeições nos restaurantes também subiram, com elevação de aproximadamente 1,6%, contra a projeção de 1,3% do HSBC. Além disso, os serviços seguem pressionados, encerrando o ano com alta de 7,6%, acima inclusive do teto da inflação, como destacou a equipe de análise da Rosenberg.

Segundo o HSBC, o aumento anual nas mensalidades escolares e das tarifas de transporte urbano em algumas cidades podem ser os vilões da inflação nos próximos meses.  Além disso, o mercado de trabalho mais apertado também configura um risco para a inflação. Com uma taxa de desemprego em níveis históricamente baixos, a pressão sobre salários deve aumentar, o que continua influenciando negativamente os preços dos serviços, que segundo a análise do banco, “não dão sinais de redução”. 

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Perspectivas
O resultado do IPCA-15 ficou abaixo do esperado pela LCA, que acredita que o grupo de Alimentação e Bebidas irá apresentar  evolução mais próxima da sazonalidade ao longo do primeiro trimestre de 2011, porém não se configura com “momentos de deflação”, conforme observado em meados de 2010. A projeção para o IPCA fechado em dezembro é de 0,60% para a corretora.

A Rosenberg acredita que o patamar permanece elevado e disseminado entre os itens, de modo que a corretora manteve a expectativa de alta de 5,9% para o índice no ano. Seguindo a mesma expectativa, o HSBC também aposta que o índice deve fechar o ano com alta de 5,9% ante a previsão anterior de 6%. 

Por fim, confirmando a tendência da maioria dos analistas do mercado, apesar de “abaixo do esperado”, o índice ainda mostra um cenário preocupante e difícil para a inflação. Dessa forma, o economista-chefe do HSBC espera um aumento na taxa de juros em janeiro do próximo ano por parte do BC.