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SÃO PAULO – Um dia após o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidir elevar o juro básico brasileiro em 0,75 ponto percentual, demonstrando uma autoridade ainda mais temerosa quanto à deterioração do cenário inflacionário doméstico, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) mostrou uma desaceleração dos preços em julho.
Segundo dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o indicador, tido como uma prévia do índice cheio do mês, apontou inflação de 0,63%, com o grupo de alimentos aparecendo como um dos principais responsáveis pelo arrefecimento mensal.
A variação foi 0,27 ponto percentual inferior à registrada em junho (+0,90%), que havia sido a maior desde julho de 2004, voltando a apontar percentuais próximos aos do início do ano – a exemplo do mês de fevereiro, quando o indicador revelou alta de 0,64% nos preços.
Índice agrada, mas não afasta preocupação
A LCA Consultoria destacou que o resultado dessa parcial em julho deu seqüência à desaceleração que já havia sido observada entre os saldos de junho do IPCA-15 (+0,90%) e do IPCA “final” (+0,74%), mas ressaltou que a trajetória declinante dos preços deve seguir lenta e irregular.
“Apesar dos indícios tranqüilizadores observados nas apurações mais recentes do IPCA e do IPCA-15, a LCA avalia que a inflação ao consumidor alternará, nos próximos meses, resultados ora favoráveis ora preocupantes”, avaliou a instituição através de relatório.
A equipe do banco britânico Barclays também elogiou o resultado, que ficou abaixo de sua projeção (+0,69%) e da mediana estimada pelo mercado (+0,67%). Contudo, os analistas afirmaram que seguem temerosos com a evolução do indicador na comparação anual, base que demonstra forte avanço dos preços.
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Com o saldo de julho, o índice já acumula alta de 4,33% em 2008, percentual bem acima do registrado no mesmo período do ano passado (+2,42%). Da mesma forma, a variação dos últimos 12 meses (+6,30%) também vem acima da mostrada nos 12 meses imediatamente anteriores, de 5,89%.
Visão semelhante à do BC
A preocupação dos analistas faz coro com a postura do Banco Central brasileiro, que aumentou o ritmo do ciclo de aperto monetário e elevou a taxa Selic ao patamar de 13,00% ao ano, surpreendendo boa parte das projeções do mercado, com a grande maioria apontando para uma elevação de 50 pontos-base.
Em nota, o comitê disse que sua decisão levou em conta a avaliação do cenário macroeconômico, “com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”.