IOF: necessidade de contenção da demanda será sentida neste trimestre

Apesar de o reajuste corresponder ao impacto de alta de até 2 p.p na Selic, empréstimo não será comprometido

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SÃO PAULO – Apesar de o reajuste do IOF (Imposto sobre Operações Financeiros) corresponder ao impacto de um aumento de até dois pontos percentuais na taxa básica de juros da economia (a Selic, atualmente em 11,25% ao ano) no âmbito do crédito, não há expectativa de que o custo do empréstimo comprometa o financiamento do consumo. Portanto, outras medidas para uma possível contenção da demanda e, conseqüentemente, da inflação, serão sinalizadas no primeiro trimestre deste ano.

A previsão é da Quest Investimentos, que, com base nos últimos indicadores da economia, estima que a Selic não seja alterada neste ano.

Custo

O reajuste do imposto vale desde o dia 3 de janeiro. A pessoas físicas, a alíquota diária dobrou de 0,0041% para 0,0082%, limitada a um total de 3% ao ano. Além disso, será feita uma cobrança extra de 0,38% sobre o valor emprestado. A medida visa a compensar a não-prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Segundo Marina Santos, economista da empresa, o aumento do IOF foi uma decisão acertada, porque atinge apenas a demanda mais aquecida, o consumo dos brasileiros. Se houvesse um aumento da taxa básica de juros, por exemplo, a extensão do impacto seria maior, incluindo expectativas do mercado e investimentos.

Impacto

De acordo com análise da Quest Investimentos, o aumento do imposto sobre a prestação de um veículo de R$ 30 mil, financiado em 60 meses a uma taxa de juros de 28,5% ao ano, representaria um aumento de 1,5% na prestação, que iria de R$ 886,50 para R$ 899,80 (+ R$ 13,30). Para produzir o mesmo efeito do aumento de IOF, a Selic teria de ficar em 12,2% ao ano.

No caso do crédito consignado, com prazo de 24 meses (com os mesmos valor e juro), a taxa básica de juros seria equivalente a 13,28% anuais.

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“O aumento na prestação é baixo. Isso não vai desaquecer o consumo”, relembrou Marina. “Com os dados disponíveis agora, é difícil dizer se existe a necessidade de outras medidas monetárias para desestimular a demanda e a inflação”, adicionou.

A economista lembrou que apenas o item Alimentos apresenta a alta de preço acima da média. E esse grupo de produtos tem a variação de preço diretamente ligada ao comportamento da safra e da chuva. “É preciso aguardar informações que serão dadas no primeiro trimestre, para conseguir fazer outras projeções”, concluiu.