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SÃO PAULO – De acordo com o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Emílio Alfieri, as empresas do varejo serão punidas com o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). Afinal, irão pagar mais impostos.
“Acredito que as empresas que oferecem melhores condições de pagamento, como as redes de grande porte, serão as mais prejudicadas, pois a carga de impostos irá pesar, mas as pequenas empresas, que têm menos poder de venda, também irão sentir o efeito. Não é um aumento que passa despercebido”, explica. “O montante que as redes usarão para pagar impostos poderia ser usado para abrir uma loja.”
Retração do consumo
Para ele, ainda existe o risco de o consumo ser reduzido, porque o crédito ficou mais caro tanto para pessoas jurídicas quanto para físicas. “Por exemplo, quem está comprando um carro por meio de um financiamento de longo prazo será prejudicado, por conta do aumento, ainda que suave, em cada prestação”, afirma.
Entretanto, nem todos os consumidores irão desistir da compra por conta disso, mas há quem coloque os gastos no papel e faça as contas e essa pessoa irá detectar a alta no preço facilmente. “O impacto psicológico pode causar uma retração no consumo”, garante o economista.
“O fim da CPMF foi decidido na segunda decisão tomada por políticos, o que demonstra a intolerância da sociedade perante os impostos. Mostrou que as pessoas não agüentam mais aumentos. A carga tributária mais pesada entre os países emergentes é a nossa”, lembra.
Desculpa do governo
Alfieri enfatiza que o discurso utilizado pelo governo para explicar o aumento das alíquotas não passa de uma “desculpa esfarrapada”. “Eles disseram que a MP ajudará a conter a inflação e a alta de juros, uma vez que irá induzir à queda do consumo de eletroeletrônicos. Mas não tem nada a ver!”, diz.
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“O que pressiona a inflação são os preços dos alimentos, que são incontroláveis, pois seguem um ritmo de aumento internacional. Os alimentos têm peso de 30% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, sublinha.
Mas o economista não fica apenas nas críticas e sugere uma saída para o embate: “Uma solução seria utilizar um critério internacional, que é excluir os alimentos e a energia da análise do Copom (Comitê de Política Monetária), ou seja, na hora de decidir se os juros devem ser reduzidos ou não, é possível não levar em conta os preços dos alimentos e da energia”, reflete.
Porém, ele explica que a energia não está influenciando negativamente nos dias de hoje, uma vez que o Brasil é quase auto-suficiente em combustíveis.
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Redução na arrecadação
O presidente da ACSP, Alencar Burti, diz que a decisão do governo parece uma “revanche” contra a não-aprovação da prorrogação da CPMF pelo Senado Federal.
Em sua opinião, “o governo pode ter dado um tiro no próprio pé”, uma vez que as medidas poderão causar retração no consumo e, conseqüentemente, uma queda na arrecadação acompanhada da desaceleração da economia.