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SÃO PAULO – Se você já investe ou pensa em aplicar no mercado de ações, certamente já recebeu algum conselho ou recomendação no sentido de não investir somente em uma ação, mas sim montar uma carteira com mais do que um ativo, visando reduzir o risco que você corre.
O princípio é bastante simples e está em linha com o conceito popular de nunca colocar todos os ovos em uma cesta só. Investir em vários ativos simultaneamente acaba reduzindo o risco que você toma, pois enquanto um papel cai, outro pode estar subindo, o que acaba reduzindo a probabilidade de perdas expressivas, que é certamente o maior pesadelo para quem investe em ações.
Dicas para montar uma carteira
Antes de montar uma carteira de ações, vale a pena entender melhor alguns conceitos e seguir algumas recomendações simples, visando melhorar a qualidade da carteira e correr riscos menores. Lembre que o princípio de carteira é exatamente o usado em fundos de investimento em ações, que, em sua grande maioria, investe em uma carteira diversificada de ativos.
Abaixo, listamos cinco regras básicas para montar uma carteira de ações:
1 – Pelo menos cinco ações
Em relação à quantidade de ações em uma carteira, não existe o número ideal, mas carteiras com mais ativos tendem a mostrar um melhor desempenho em relação à redução de risco. Afinal de contas, quanto mais cestas, menor o prejuízo, em termos de ovos quebrados, quando uma delas cai.
Considerando as limitações existentes e, muitas vezes a falta de opções interessantes de investimento, acreditamos que montar uma carteira com pelo menos cinco ativos faça sentido, desde que a escolha de ativos siga as orientações abaixo.
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2 – Diversifique o setor
A idéia por trás de uma carteira é reduzir os riscos, portanto nada de incluir ativos com riscos semelhantes na mesma carteira. De fato, quanto mais “diferentes” forem os ativos, maior a probabilidade de ter uma carteira realmente diversificada. Neste sentido, “diferentes” são considerados ativos que reagem de forma diversa ao impacto de uma determinada mudança no mercado.
Vamos imaginar, por exemplo, uma carteira com Aracruz e VCP. Embora as empresas tenham diferenças, ambas estão bastante expostas aos preços internacionais da celulose e do papel, além de serem sensíveis às alterações na cotação do dólar, pois são exportadoras. Além disso, a VCP é uma das principais acionistas da Aracruz. Com tudo isso, a probabilidade de ambas caminharem na mesma direção é bastante grande.
Uma alternativa muito mais interessante é tentar diversificar o setor, pois os diversos setores tendem a reagir de forma diferente às mudanças no cenário econômico ou corporativo. Por exemplo, se você tem ações de empresas exportadoras, vale a pena diversificar com algumas que possuam boa parte de suas receitas no mercado interno.
Assim, analise de perto as seguintes variáveis: o impacto de mudanças na cotação do dólar, aumento de juros tanto no Brasil como nos EUA, variação nos preços internacionais de commodities e outros. Para diversificar, o ideal é que as empresas reajam de forma diferente à combinação destas e outras variáveis.
3 – Investir por quanto tempo?
Você tem que definir, antes de montar sua carteira, qual a perspectiva de tempo que você tem para os recursos investidos. Afinal, pouco adianta montar uma carteira com ações que mostram bom potencial de longo prazo se você vai precisar do dinheiro em dois meses.
Considerando esta perspectiva, você pode montar uma carteira composta somente por papéis com perspectiva de longo prazo ou, talvez, caso queira investir por pouco tempo, somente olhando no curto prazo. O melhor, porém, é abrir espaço tanto para papéis que podem subir ou no curto ou no longo prazo, em uma proporção que vai variar de acordo com sua necessidade de recursos.
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4 – Foco em empresas líderes
Uma importante lição é concentrar uma parte importante da carteira em ações de empresas líderes, as chamadas blue chips, principalmente para quem está montando uma carteira com objetivos de médio e longo prazo. Embora talvez valha a pena investir parte dos recursos em papéis mais especulativos, buscando aumentar a rentabilidade, o “coração” da carteira deve ser de papéis de boa qualidade.
Para descobrir quais são estas empresas, analise o setor e veja qual a participação da empresa no mercado, analise seu desempenho recente e suas perspectivas. Entre algumas empresas que “cabem” perfeitamente nesta definição, podemos encontrar Petrobrás, Vale do Rio Doce, Telemar, Gerdau, Usiminas, AmBev, etc.
5 – Cuidado com mudanças constantes
Uma boa carteira é aquela no qual o investidor consegue um bom retorno com o menor risco possível. Assim, fazer alterações na alocação da carteira, sempre que um objetivo de preço for alcançado, pode trazer benefícios, tanto em termos de risco como retorno.
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Fique de olho em mudanças na relação de preços entre ativos com perfil próximo, como, por exemplo, ações preferenciais ou ordinárias da mesma empresa, ou mesmo papéis dentro de um mesmo setor. Muitas vezes o mercado cria oportunidades para quem está de olho, justificando uma mudança, mesmo que reversível depois, na composição da carteira.
Porém, fique atento aos custos envolvidos, já que muitas vezes um excesso de mudanças pode acabar trazendo custos, principalmente de comissões, maiores do que os ganhos com estas alterações de alocação.
Boa sorte!!