Investimentos estrangeiros diretos voltam a cair de forma acentuada em março

Fluxo totalizou US$ 284 milhões em março deste ano, frente aos US$ 2,363 bilhões no mesmo período do ano anterior

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SÃO PAULO – Segundo o relatório divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, os fluxos de investimentos estrangeiros diretos líquidos, incluindo empréstimos intercompanhias, ficaram em apenas US$ 284 milhões em março, o que representa queda de 88% frente ao volume registrado no mesmo período do ano anterior, quando os investimentos totalizaram US$ 2,363 bilhões.

Vale ressaltar que as expectativas do mercado para os investimentos no período giravam em torno de US$ 400 milhões. Por sua vez, no acumulado do período entre janeiro e março de 2003 os investimentos totalizaram R$ 1,977 bilhão, significativa redução de 57,9% frente ao mesmo período do ano passado, o que indica que dificilmente o acumulado deste ano conseguirá igualar-se ao do ano anterior.

Do montante investido em março, cerca de US$ 381 milhões foram referentes à entrada líquida de investimentos em participação de capital, que caíram 80,9% em relação aos US$ 1,996 bilhão apurados no mesmo período do ano anterior.

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Potenciais investidores mostram cautela

Uma comunhão de fatores levou à significativa queda dos investimentos estrangeiros diretos líquidos no Brasil desde meados de 2002, dentre eles as incertezas eleitorais que impactaram negativamente no país no segundo semestre de 2002, os receios acerca da lenta expansão da economia global e as tensões com o conflito no Iraque.

Desta maneira, os investidores seguiram bastantes cautelosos em relação aportes de capital em países emergentes como o Brasil, o que levou a uma drástica redução nos fluxos de investimento externo para o país.

Ingressos caem 58%, saídas se elevam em 49,6%

Na avaliação da conta de investimentos em participação de capital, o ingresso de recursos estrangeiros em março apontou queda de 58,2%, saindo de US$ 3,015 bilhão para US$ 1,261 bilhão. Enquanto isso, a saída de recursos do país apontou forte alta de 49,6%, indo para US$ 977 milhões, frente aos US$ 653 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.

Em relação aos empréstimos intercompanhias, os desembolsos, que correspondem à entrada de recursos, apresentaram queda de 59,3%, saindo de US$ 821 milhões para US$ 334 milhões. Já as amortizações mantiveram-se praticamente inalteradas, somando US$ 431 milhões em março de 2003 frente aos US$ 453 milhões apurados em março do ano anterior.

Concentração nas operações de US$ 10 milhões

Sob critério de faixas de montante de investimento, em março de 2003 a maior parte dos investimentos se concentrou nas operações inferiores ou iguais a US$ 10 milhões, frente a uma concentração no mesmo período de 2002 na faixa de US$ 100 milhões a US$ 500 milhões.

As operações na faixa dos US$ 10 milhões em março deste ano totalizaram US$ 303 milhões e as operações entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões figuram-se na segunda colocação, com o montante de US$ 210 milhões.