Investimento ilusório, pirâmides financeiras ameaçam Colômbia

Governo do país decreta estado de emergência e intervém para desmontar esquemas fraudulentos

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SÃO PAULO – Lucros elevados, retornos garantidos. As promessas de dinheiro fácil devem deixar com o pé atrás qualquer investidor consciente. Mas certas vezes, ganância, inocência e má-fé misturam-se para dar origem aos esquemas de pirâmide – que forçaram o governo colombiano a decretar estado de emergência.

Seu mecanismo é simples. São oferecidas possibilidades de lucro extraordinário a investidores, condicionadas a um aporte inicial em um fundo. No entanto, como não existem operações reais que justifiquem tais ganhos, todo o lucro embolsado pelos investidores iniciais é originado dos aportes realizados pelos que vêm depois, iludidos pelas grandes taxas de retorno.

Fazendo as contas, fica fácil perceber como o final da história é triste. Uma vez que o lucro de uma única pessoa é garantido pelos investimentos de várias outras, chega um momento em que não existem novas pessoas o suficiente. Com os temores de quebra, os resgates do investimento se intensificam e não há dinheiro para todos. Aos que ficam por último, restam grandes prejuízos.

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Contendo a crise

As conseqüências sociais e econômicas trágicas do esquema fizeram o governo central colombiano decretar medidas de intervenção nas pirâmides, concedendo aos governos regionais a autoridade de polícia para fechar estabelecimentos suspeitos de envolvimento e para atribuição de penas mais duras a colaboradores da captação massiva de recursos.

No entanto, são cada vez maiores as críticas ao governo do país por omissão durante a proliferação do esquema, transformado em escândalo em 12 de novembro, quando o proprietário de uma das empresas mais conhecidas do esquema – a DRFE – teria deixado o país sem pagar os valores prometidos a seus clientes, resultando em protestos e saques em mais de 13 cidades do país. A onda de violência também provocou duas mortes.

Por sua vez, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu a demora das autoridades. “Me arrependo de não haver intervindo”, afirmou em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira (17), embora tenha ressaltado a existência de entraves legais para a ação do governo.

Nesta quarta-feira, um juiz de Bogotá decretou a prisão dos diretores de outra empresa acusada de envolvimento – DMG. De acordo com jornais locais, o governo do país apreendeu 92,4 milhões de pesos colombianos (cerca de US$ 40 milhões) somente da empresa DRFE, mas suspeita-se do envolvimento de quase 70 outras empresas. Contudo, não há estimativas oficiais sobre o total de prejuízos ou pessoas envolvidas.

A mesma história…

Esta ciranda financeira tem muitos precedentes históricos. O mais recente e dramático ocorreu em meados da década de 1990, na Albânia. Quando quebrado, o esquema gerou prejuízos bilionários, afetando grande parte da população e gerando enorme convulsão social.

Mais atrás, em 1720, a empresa de comércio britânica South Sea foi veículo para esquema semelhante, em que os rendimentos dos investidores eram todos garantidos pelos recursos captados com constantes emissões de novas ações. A crise teve enormes proporções em função do envolvimento de grande parte da população.