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Investidores estão subestimando turbulência global, diz ex-CEO da Pimco

Para Mohamed El-Erian, mercado mostrou que há uma "complacência notável" entre os profissionais de mercado porque eles já provaram um dia ser oportunidade de compra; o problema é que agora os fatores não podem mais ser tão controlados como antes

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SÃO PAULO – Os investidores deveriam estar prestando mais atenção à incerteza que está sendo criada pela turbulência na Ucrânia e Oriente Médio, destacou o ex-CEO da Pimco, Mohamed El-Erian, em entrevista à CNBC nesta segunda-feira (21).

Os mercados financeiros acreditam que as duas crises são contidas e passageiras, destacou El-Erian, mas que isso pode ser perigoso. Enquanto a pressão mundial aumenta sobre o presidente russo, Vladimir Putin, em meio ao possível papel de Moscou na derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, o Conselho de Segurança da ONU deve votar na segunda-feira por uma resolução exigindo o acesso internacional ao local do acidente, no leste da Ucrânia.

Já no Oriente Médio, as forças terrestres israelenses avançaram em cidade mais densamente povoadas da Faixa de Gaza no dia mais mortal de combate para ambos os lados desde o início do conflito, há duas semanas. O secretário de Estado John Kerry está indo para o Cairo de modo a pressionar um cessar-fogo.

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Mesmo que haja repercussões destes eventos, El-Erian disse que o consenso em Wall Street aponta que isso ainda não importa – os lucros ainda estão fortes e o Federal Reserve ainda está apoiando as ações.

Ele alertou que há uma “complacência notável” entre os profissionais, mas que a complacência foi recompensada porque muitas das recentes crises geopolíticas provaram ser oportunidades de compra. 

“Mas o problema é se perceberem que o processo está piorando. Tratam-se de atores não estatais, o que significa que é muito mais difícil de conter”, disse ele. “Ao contrário dos velhos tempos, não há nenhum poder que pode informar, influenciar ou impor resultados.”

O conflito Israel-Hamas também se arrisca a “radicalizar as pessoas por toda a região”, disse El-Erian. “No momento em que você começar a falar sobre isso, você traz estas informações para o Iraque, a Síria, e para os outros países”.