Investidores da AL seguem construtivos com mercados de ações – mas com pé no freio

Apesar do otimismo de curto prazo, a equipe de estratégia do JPMorgan chama atenção para o aumento do desconforto com a sustentabilidade do atual bull market

Lara Rizério

Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel
Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel

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Investidores globais seguem construtivos com os mercados de ações, mas com um pé no freio. Levantamento do JPMorgan, feito a partir de reuniões com 56 investidores institucionais em cinco cidades da América Latina, mostra que 92% acreditam em retornos positivos em 2026, ainda que a expectativa majoritária seja de ganhos modestos, concentrados em um único dígito.

Apesar do otimismo de curto prazo, a equipe de estratégia do JPMorgan chama atenção para o aumento do desconforto com a sustentabilidade do atual bull market (mercado do “touro”, que representa um período prolongado de valorização dos ativos).

Segundo o banco, 54% dos investidores acreditam que uma correção superior a 30% pode ocorrer ainda este ano ou em 2027, o que reforça a percepção de que bastaria um choque relativamente pequeno para mudar o humor do mercado.

Na alocação geográfica, o consenso segue desfavorável à Europa. O JPMorgan afirma não ter encontrado nenhum investidor disposto a sobreponderar a região frente aos Estados Unidos, refletindo preocupações com crescimento, riscos geopolíticos e menor geração de resultados. Em contrapartida, o banco mantém visão positiva para ações americanas, especialmente em small e mid caps, segmento ainda subponderado pela maioria e visto como fonte potencial de alfa.

Os mercados emergentes continuam como preferência de alocação, mas o relatório faz um alerta importante: economias emergentes tendem a ser mais penalizadas por choques de commodities. De acordo com estimativas citadas no documento, uma alta de 10% no petróleo pode reduzir o crescimento do PIB real dos emergentes em 20 pontos‑base, contra 14 pontos‑base nas economias desenvolvidas.

Do ponto de vista setorial, o apetite permanece concentrado em tecnologia, utilities e industriais, em um ambiente que combina crescimento ainda resiliente com inflação mais persistente. Por outro lado, investidores seguem cautelosos com consumo discricionário, real estate, saúde e serviços de comunicação.

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Entre os temas com maior potencial de retorno apontados na pesquisa, o Brasil aparece com destaque, ao lado de Coreia do Sul, cibersegurança, inteligência artificial e ativos industriais considerados de baixa obsolescência.

O JPMorgan aponta que a combinação de posicionamento defensivo dos investidores e consenso elevado em algumas teses cria um ambiente em que surpresas negativas podem gerar volatilidade, mas também oportunidades seletivas para quem busca alfa.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.