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Investidores globais seguem construtivos com os mercados de ações, mas com um pé no freio. Levantamento do JPMorgan, feito a partir de reuniões com 56 investidores institucionais em cinco cidades da América Latina, mostra que 92% acreditam em retornos positivos em 2026, ainda que a expectativa majoritária seja de ganhos modestos, concentrados em um único dígito.
Apesar do otimismo de curto prazo, a equipe de estratégia do JPMorgan chama atenção para o aumento do desconforto com a sustentabilidade do atual bull market (mercado do “touro”, que representa um período prolongado de valorização dos ativos).
Segundo o banco, 54% dos investidores acreditam que uma correção superior a 30% pode ocorrer ainda este ano ou em 2027, o que reforça a percepção de que bastaria um choque relativamente pequeno para mudar o humor do mercado.
Na alocação geográfica, o consenso segue desfavorável à Europa. O JPMorgan afirma não ter encontrado nenhum investidor disposto a sobreponderar a região frente aos Estados Unidos, refletindo preocupações com crescimento, riscos geopolíticos e menor geração de resultados. Em contrapartida, o banco mantém visão positiva para ações americanas, especialmente em small e mid caps, segmento ainda subponderado pela maioria e visto como fonte potencial de alfa.
Os mercados emergentes continuam como preferência de alocação, mas o relatório faz um alerta importante: economias emergentes tendem a ser mais penalizadas por choques de commodities. De acordo com estimativas citadas no documento, uma alta de 10% no petróleo pode reduzir o crescimento do PIB real dos emergentes em 20 pontos‑base, contra 14 pontos‑base nas economias desenvolvidas.
Do ponto de vista setorial, o apetite permanece concentrado em tecnologia, utilities e industriais, em um ambiente que combina crescimento ainda resiliente com inflação mais persistente. Por outro lado, investidores seguem cautelosos com consumo discricionário, real estate, saúde e serviços de comunicação.
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Entre os temas com maior potencial de retorno apontados na pesquisa, o Brasil aparece com destaque, ao lado de Coreia do Sul, cibersegurança, inteligência artificial e ativos industriais considerados de baixa obsolescência.
O JPMorgan aponta que a combinação de posicionamento defensivo dos investidores e consenso elevado em algumas teses cria um ambiente em que surpresas negativas podem gerar volatilidade, mas também oportunidades seletivas para quem busca alfa.
