Ajustando carteiras

Investidores buscam refúgio com mudança no balanço de riscos

Rali das commodities e expectativas de inflação em alta deram lugar esta semana à corrida por ativos vistos como seguros

(Getty Images)

(Bloomberg) — O apetite global por risco começa a diminuir em meio à crescente tensão dos mercados.

O rali das commodities e expectativas de inflação em alta deram lugar esta semana à corrida por ativos vistos como seguros, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o iene japonês, enquanto partes do mundo da tecnologia estão em crise. Investidores mais uma vez questionam a força da recuperação global e analisam a ameaça de novas variantes do coronavírus e o possível aperto da política monetária de bancos centrais, em particular do Federal Reserve.

“O balanço de riscos é um pouco mais negativo devido ao alcance global contínuo da variante delta e à reação ao FOMC”, disse David Folkerts-Landau, economista do Deutsche Bank, em referência à sigla do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed em relatório na terça-feira. “Uma das maiores questões no curto prazo será até que ponto governos e cidadãos estão preparados para conviver com o vírus. Essa resposta terá implicações cruciais para a forma da recuperação e para o novo ‘estado estacionário’ para o qual estamos caminhando.”

Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos despencaram na terça-feira, para o nível mais baixo desde fevereiro, depois que um indicador da atividade do setor de serviços dos EUA caiu mais do que o esperado, o que reforçou a preocupação sobre a força da recuperação econômica. Os futuros do petróleo tipo Brent, que atingiram o maior nível desde 2018 nesta semana após o colapso das negociações da Opep+ sobre o aumento da produção, reverteram a trajetória e devolveram os ganhos deste mês.

Com bancos centrais focados nos dados para guiar a política monetária, investidores analisam cada publicação econômica em busca de pistas para tomar decisões. Embora os dados de serviços dos EUA divulgados na terça-feira tenham mostrado carteira recorde de pedidos, operadores se concentraram no indicador mais fraco de emprego e na ligeira queda dos preços pagos, sugerindo que a aceleração das pressões de custo pode ter começado a esfriar.

A bolsas dos EUA interromperam uma sequência de sete sessões seguidas com fechamento em nível recorde, pressionadas por ações de energia e do setor financeiro, mais sensíveis aos ciclos econômicos. O iene japonês, tradicional porto seguro dos investidores, subiu para a maior cotação em duas semanas em relação ao dólar.

Operadores também estão preocupados com a propagação da variante delta do coronavírus, mesmo em países como Israel, com uma das campanhas de imunização mais eficazes do mundo. Muitos novos casos de Covid-19 têm sido registrados entre pessoas vacinadas, de acordo com o serviço de notícias Ynet, e um relatório mostrou que a vacina da Pfizer mostrou menor eficácia para evitar contágios, embora ofereça forte escudo contra casos graves.

Na China, ações de tecnologia sentem o impacto do maior escrutínio regulatório e investidores se preparam para uma nova era de supervisão mais rigorosa do governo de Pequim. O índice de ações de Internet do país caiu para o menor nível desde setembro.

E há sinais de preocupação com o ritmo de recuperação econômica da China. Um ex-funcionário do banco central do país disse que as autoridades deveriam cortar as taxas de juros no segundo semestre.

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Ainda assim, a tensão em algumas partes do mercado financeiro ainda não levou a perdas mais amplas. Um indicador de ações globais é negociado perto do recorde de fechamento na sexta-feira, e os rendimentos de referência acumulam ganho superior a 40 pontos-base este ano.

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