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SÃO PAULO – Instabilidade. Esta parece ser a palavra de ordem nos mercados de ações, que iniciam a sessão desta quinta-feira (3) sem trajetória definida, em meio à confluência de resultados corporativos divergentes e incertezas sobre a crise no Egito.
“As ações nos EUA têm sido negociadas sem grande convicção, após um forte início de mês. Entretanto, com a situação no Egito aparentemente se deteriorando, as ações são pressionadas”, apontou Sverre Holbek, analista do Danske Bank.
Assim, os contratos futuros sobre os índices de ações de Wall Street operam instáveis, ao passo em que os índices acionários de referência na Europa passam a apontar de modo mais sólido para as perdas.
As preocupações com a estabilidade política egípcia voltaram a crescer, após o aumento dos conflitos violentos entre manifestantes pró e contra a manutenção do presidente Hosni Mubarak no poder.
Perspectivas
Em meio a tantas turbulências no exterior, o chefe de análise da corretora Ágora – Marco Melo – afirmou em relatório que “o cenário permanece de cautela para o mercado acionário brasileiro”.
“Nossos indicadores de fluxo de notícias historicamente provaram ser altamente sensíveis à precificação dos ativos financeiros”, apontou a equipe de estratégia do Société Générale, ressaltando que os temores sobre inflação voltaram aos picos atingidos em 2008.
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Em meio à reprovação de um projeto no senado dos EUA que visava acabar com a reforma do sistema de saúde, os investidores avaliam as declarações de Scott Bugie, diretor-gerente da agência de classificação de risco S&P, que reafirmou não haver expectativa de corte do rating AAA do país no curto e no médio prazos.
Agitado, o cenário corporativo trás importantes referências, como os resultados da japonesa Sony, que anunciou uma queda de lucro líquido no terceiro trimestre do ano fiscal de 8,6%, na comparação com o mesmo período de 2009. Ainda no Japão, destaque para o anúncio de fusão entre Nippon Steel e Sumitomo Metal industries.
Agenda externa
Já na Europa, os índices acionários são influenciados pelo desempenho positivo de ações do setor bancário, lideradas pela alta de 2,7% das ações do Deutsche Bank, que revelou lucro líquido de € 605 milhões no último trimestre de 2010.
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Entre as ações que operam no campo negativo neste pregão, destaque para as empresas do setor petrolífero. As ações da anglo-holandesa Shell têm queda de 2,93% em Londres após a empresa divulgar lucro menor que o esperado pelo mercado, e são acompanhadas pela BP, com baixa de 1,25%, e pelo BG Group, que cai 1,30%.
Segundo a Eurostat – agência oficial de estatísticas da Comissão Europeia -, o volume de vendas no varejo cresceu 0,6% na Zona do Euro, na passagem de novembro para dezembro passado.
Além da decisão do BCE sobre política monetária, os investidores aguardam dados sobre os pedidos de seguro-desemprego nos EUA, bem como encomendas à indústria e atividade no setor de serviços, com o ISM Services.
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Resultados domésticos
Internamente, a ausência de indicadores econômicos de maior relevo faz com que os investidores acompanhem mais atentamente o cenário corporativo, com destaque para as especulações em torno dos resultados do Banco PanAmericano, cuja auditoria sobre as contas teria apurado um prejuízo adicional de R$ 500 milhões.
Ainda no setor financeiro, o Santander Brasil divulgou há pouco seu resultado operacional referente a 2010, quando o banco contabilizou lucro líquido de R$ 7,382 bilhões, 34% superior a 2009, dentro do padrão contábil internacional IFRS.
Já a Redecard anunciou seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2010, tendo como destaque a redução de 12,4% e 13,4% do Ebitda (geração operacional de caixa) ajustado e do lucro líquido na comparação com o mesmo período de 2009.