Instabilidade externa não atinge o Ibovespa, que sobe com fôlego de Aracruz e VCP

Blue chips também dão suporte ao índice, enquanto resultados ruins e fracos indicadores pressionam lá fora; dólar sobe

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SÃO PAULO – Novamente a instabilidade predomina sobre os mercados externos e outra vez a bolsa brasileira consegue espaço para valorização. Lá fora, as preocupações em torno da temporada de resultados corporativos se unem aos fracos indicadores econômicos reportados na sessão e disseminam a cautela. Por aqui, o setor de papel e celulose proporciona fôlego extra ao Ibovespa, que sobe pelo segundo pregão consecutivo amparado também por Vale e Petrobras.

No âmbito corporativo, a temporada de resultados destaca os fracos números apresentados pelo setor de saúde nesta sessão. A Thermo Fisher Scientific – maior fabricante mundial de instrumentos de laboratório – registrou um lucro por ação de US$ 0,62, ficando abaixo das estimativas do mercado e vê seus papéis caírem mais de 8%. Por outro lado, Apple e eBay apresentaram números melhores que o previsto e amenizam um pouco as tensões em Wall Street.

Certa cautela também é proveniente da esfera econômica. Após os indícios de melhora no setor imobiliário na véspera, o número de vendas de casas usadas nos EUA ficou abaixo das expectativas dos analistas durante os 12 meses encerrados em março, de acordo com dados da Associação de Corretoras de Imóveis. Para piorar, o número de pedidos de auxílio-desemprego ficou marginalmente acima do esperado pelo mercado na última semana.

Os escândalos envolvendo o setor bancário também chamam a atenção dos investidores. Segundo carta de Andrew Cuomo – procurador do Estado de Nova York – enviada ao Congresso norte-americano nesta sessão, o CEO (Chief Executive Officer) do Bank of America, Kenneth D. Lewis, foi pressionado para concluir a compra da Merrill Lynch, após tentativas de cancelar o negócio por conta de uma “surpreendente” deterioração na unidade de corretagem da instituição a ser adquirida.

Produtoras de celulose e blue chips guiam bolsa

Na direção oposta das perdas verificadas nas bolsas norte-americanas, o Ibovespa avança pela tarde com o suporte de produtoras de celulose e blue chips. O bom desempenho do setor financeiro também dá fôlego à bolsa brasileira.

Liderando com folga os ganhos do índice, os papéis de VCP e Aracruz disparam nesta tarde. A segunda, que teve sua incorporação aprovada pela concorrente, informou que o contrato de conclusão da negociação da dívida com os bancos encontra-se em fase final de elaboração, para assinatura. Além disso, há indícios de melhora na demanda chinesa pelo produto.

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Entre as blue chips, a Petrobras anunciou uma nova descoberta de indícios de petróleo no bloco ES-T-364, situado na bacia de Espírito Santo, na costa Sudeste do Brasil. O anúncio influencia positivamente as ações da petrolífera, que também são amparadas pela alta nas cotações do petróleo.

Passando para o setor financeiro, os papéis do Banco do Brasil sobem após a confirmação da nomeação de Aldemir Bendine como presidente da instituição, conforme anunciado antes pelo ministro Guido Mantega após a demissão de Antônio Francisco de Lima Neto.

Ibovespa sobe

Dando sequência ao ganho da véspera, o Ibovespa apresenta alta próxima de 1,7%, contornando os 45.680 pontos. O volume financeiro do índice totaliza R$ 5,4 bilhões.

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Na ponta negativa do índice figuram as units da ALL, que reagem à divulgação da prévia de volume e Ebitda (geração operacional de caixa) do primeiro trimestre de 2009.

Extremos

Entre os destaques de alta estavam os papéis
VCP PN (VCPA4, +8,62%),
Aracruz PNB (ARCZ6, +7,50%),
Klabin PN (KLBN4, +5,25%),
JBS ON (JBSS3, +4,27%) e Brasil ON (BBAS3, +4,10%).
Por outro lado, as ações
ALL UNT N2 (ALLL11, -3,61%),
TAM PN N2 (TAMM4, -3,10%),
Redecard ON (RDCD3, -2,38%),
Light ON (LIGT3, -1,66%) e Telemar NLeste PNA (TMAR5, -1,32%).
encerraram a manhã em queda.

Os maiores volumes ficaram com
Petrobras PN (PETR4, R$ 347,36 milhões), Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 255,17 milhões), Itau Unibanco PN (ITAU4, R$ 135,00 milhões), Bradesco PN (BBDC4, R$ 100,88 milhões) e Petrobras ON (PETR3, R$ 91,23 milhões).

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Dólar sobe

Em sessão de instabilidade e maior aversão ao risco, o dólar comercial devolve parte das perdas da última quarta-feira e opera nesta tarde em alta próxima de 0,8%, cotado a R$ 2,221.