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SÃO PAULO – Diante da volta do clima de instabilidade no mercado, principalmente, em função da crise no Oriente Médio, muitos investidores, tanto no Brasil como no exterior, optaram por migrar suas aplicações para ativos considerados mais seguros, como ouro e dólar.
Nesse sentido, os investimentos estrangeiros aos países emergentes, como é o caso do Brasil, apresentaram queda em fevereiro em relação aos meses anteriores. Esses dados fazem parte do relatório anunciado nessa quarta-feira pelo Banco Central através da Nota para a imprensa sobre Setor Externo.
Investimentos estrangeiros recuaram 7,9% em fevereiro
No período em questão, os investimentos estrangeiros diretos líquidos ao país, incluindo os empréstimos intercompanhias, caíram 7,9%, passando de US$ 856 milhões em fevereiro de 2002 para US$ 788 milhões. Desse modo, no acumulado de janeiro a fevereiro, as entradas líquidas de investimentos estrangeiros recuaram 27,4% para US$ 1,693 bilhão, frente aos R$ 2,332 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior.
De acordo com os dados do Banco Central, o aumento nos desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias acabou limitando uma maior queda no saldo de investimentos estrangeiros líquidos do mês, compensando parcialmente a menor entrada líquida de investimentos em participação de capital.
Os investimentos em participação de capital recuaram 31% em 12 meses, saindo de US$ 583 milhões para US$ 402 milhões em fevereiro desse ano. Sendo assim, no acumulado do primeiro bimestre, a entrada de capital estrangeiro apresentou forte declínio para US$ 1,129 bilhão frente aos US$ 2,096 bilhões apurados no ano anterior, o que representa uma queda de 46%.
Por outro lado, os empréstimos intercompanhias registraram acentuado incremento de 41,8%, contabilizando a entrada líquida de US$ 387 milhões em fevereiro desse ano em relação aos US$ 273 milhões apurados em fevereiro do ano passado. No acumulado do ano, os empréstimos intercompanhias cresceram 140%, saindo de US$ 235 milhões para US$ 564 milhões.
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Saída de recursos mostra forte queda
Neste contexto, é interessante analisar os ingressos e saídas de capital, fluxos estes que resultaram na entrada líquida de R$ 788 milhões mencionada acima. Na avaliação da conta de investimentos em participação de capital, o ingresso total de recursos estrangeiros recuou de US$ 1,232 bilhão para US$ 1,056 bilhão, ou seja, uma queda de 14,3%. Já a saída de recursos estrangeiros do país mostrou queda mais acentuada, de 28,7%, para US$ 268 milhões, em relação aos US$ 376 milhões apurados anteriormente.
Quanto aos empréstimos intercompanhias, os desembolsos, que correspondem à entrada de recursos no país, ficaram praticamente estáveis em US$ 583 milhões em fevereiro frente aos US$ 584 milhões auferidos no ano passado. Em contrapartida, as amortizações registraram queda acentuada de 37% para US$ 196 milhões contra US$ 311 milhões contabilizados em fevereiro do ano passado.
Operações se concentram na faixa dos US$ 10 milhões
Os investimentos estrangeiros se concentram nas operações inferiores ou iguais a US$ 10 milhões, totalizando US$ 265 milhões em fevereiro. Nas demais operações, os investimentos não chegaram na cifra de US$ 100 milhões.
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Ao analisarmos o volume do acumulado do ano, é possível verificar que as operações na faixa dos US$ 10 milhões somaram cerca de US$ 586 milhões, enquanto as operações entre US$ 100 milhões e US$ 500 milhões totalizaram em torno de US$ 269 milhões.
Em fevereiro do ano passado, as operações estavam concentradas na faixa inferior ou igual a US$ 10 milhões, totalizando cerca de 368 milhões, atingindo US$ 790 milhões no acumulado dos dois primeiros meses de 2002. Em seguida estavam as operações entre US$ 20 milhões a US$ 50 milhões, que chegaram a US$ 186 milhões em fevereiro e US$ 412 milhões no acumulado.
Como já era de se esperar, os investidores permanecem cautelosos frente à economia brasileira, refletindo no volume de entrada de recursos de estrangeiros no país. Essa situação piorou significativamente, com o agravamento das tensões no Oriente Médio, o que acabou afugentando os investidores dos mercados emergentes, inclusive o Brasil, que ainda tem sérias dificuldades para conseguir fechar suas contas do setor externo.