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SÃO PAULO – A exemplo da véspera, a sessão desta quinta-feira (4) deverá ser marcada mais uma vez pela forte volatilidade no mercado global de ações, especialmente em Wall Street, onde investidores buscam sinais de como caminhará a maior economia do planeta daqui para frente de olho no risco de corte de rating no curto prazo e um eventual cenário recessivo sob um ângulo mais elevado.
Por hora, os principais índices do pré-market norte-americano registram quedas próximas a 0,6%, enquanto na Europa, já em pregão regular, os principais índices oscilam entre as bandas positiva e negativa do gráfico, sem que seja visível uma trajetória uniforme.
Risco? Não, obrigado
A instabilidade tem como base a aversão ao risco que avança sobre o mercado nos últimos dias, refletindo a somatória de fatores negativos. Ao mesmo tempo, os EUA sofrem com o risco de deterioração fiscal e ainda patinam para consolidar a recuperação pós-crise; na Europa, a crise fiscal segue assombrando e a safra de resultados trimestrais, principalmente do setor bancário, decepciona; e por fim, os emergentes, que até há pouco eram tidos como a menina dos olhos de ouro do mercado, não gozam mais da pujança de outrora, afetados pela pressão inflacionária e sinais de desaceleração do crescimento.
“Na esteira da aversão ao risco global vigente e o pouco apetite por renda variável, os sintomas claros de volatilidade estão de volta, o que provoca maior propensão à dispersão do valor dos ativos”, resume Marco Melo, head de análise da Ágora Corretora. “Nota-se claramente a procura pelas treasuries norte-americanas de longo prazo, enquanto as commodities metálicas e básicas ainda sofrem com as incertezas que rondam a entrega do crescimento das locomotivas da economia mundial como EUA e China”, completa.
Como consequência do cenário pouco animador, cresce a expectativa de que bancos centrais comecem a promover novas rodadas de alívio quantitativo como forma de estimular o crescimento e afastar o risco de recessão.
Novos estímulos
Neste sentido, alguns sinais já podem surgir nesta quinta-feira. Apesar de terem mantido inalteradas as taxas básicas de juros, o BoE (Bank of England) e o BCE (Banco Central Europeu), há expectativas ao redor das atas dos encontros, que podem indicar novas medidas de estímulo em breve. Além disso, há a especulação que o BCE possa começar a comprar títulos de Espanha e Itália para conter a escalada nos juros dos papéis.
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Além disso, “parece ter crescido no mercado a expectativa por uma nova rodada de flexibilização monetária nos EUA, um QE3 (Quantitative Easing 3)”, sugere Lars Christensen, analista chefe do Danske Bank. Negado por diversas vezes pelo Federal Reserve, o atual cenário favorece a especulação ao redor de um eventual QE3 – é esperar para ver.