Início da temporada de resultados anima, e Ibovespa opera em alta

Números do mercado de trabalho dos EUA também agradam; BCs da Europa mantém taxas de juro; Vivo lidera ganhos

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SÃO PAULO – A quinta-feira (8) marca a volta de um movimento positivo mais substancial no mercado acionário internacional, fundamentado principalmente pelas perspectivas favoráveis em relação aos resultados corporativos. O bom humor também é visto na alta das commodities e queda do dólar frente às principais divisas externas.

Assim, o Ibovespa avança 1,63%, a 63.660 pontos, acompanhando as altas de Wall Street.

Temporada de resultados

O Lloyds Banking Group confirmou que pode emitir direitos sobre aquisição de ações, como forma de levantar recursos para sair do programa e ajuda do governo. A oferta poderia render ao banco £15 bilhões.

A fabricante de alumínio Alcoa deu a largada para a nova temporada de resultados reportando lucro de US$ 0,04 por ação ao longo do último trimestre, animando o mercado que esperava por prejuízo de US$ 0,09 por ação.

Com o aumento do volume de vendas de bebidas e aperitivos, a PepsiCo registrou resultado trimestral melhor que o esperado. Na última quarta-feira (7), a empresa norte-americana anunciou lucro líquido de US$ 1,72 bilhão ou US$ 1,09 por ação.

Dando início à temporada de resultados do terceiro trimestre, a Localiza reportou um lucro líquido de R$ 20,6 milhões, o que representa uma queda de 58,9% frente ao mesmo período do ano anterior.

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E não são apenas os números já divulgados que chamam a atenção. As expectativas otimistas sobre os resultados – especialmente dos grandes bancos – também ajuda a impulsionar a renda variável. Conforme levantamento da agência Bloomberg, os analistas esperam lucros de US$ 2,05 bilhões e US$ 2,3 bilhões para JPMorgan Chase e Goldman Sachs, respectivamente. As duas instituições anunciam os resultados na próxima semana.

Bolsa

Em um dia bastante positivo para a bolsa brasileira, os ativos de Vivo, Bradespar e Tim se destacam entre as altas.

Por outro lado, os papéis das aéreas GOL e TAM estão entre as maiores perdas do Ibovespa.

Da esfera corporativa, também surgem notícias importantes. A começar pela OGX Petróleo, que fez o que muitos esperavam desde seu IPO (Initial Public Offering): propôs desdobramento de suas ações. Os ativos da empresa têm forte alta.

Dentre as large caps que chamam a atenção nesta manhã estão a VCP e a Aracruz, que anunciaram a venda de ativos da unidade de Guaíba para a chilena CMPC. O valor da operação é de US$ 1,430 bilhão, a ser pago em duas parcelas. Os papéis das duas empresas avançam no Ibovespa.

Destaque também para a avaliação da proposta de compra da GVT pela Telefônica, no valor de R$ 6,5 bilhões. Ao mesmo tempo, agências internacionais apontam uma possível desistência da francesa Vivendi, que havia apresentado proposta anterior pela operadora nacional.

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Entre os destaques de alta estão os papéis
Vivo Part PN (VIVO4, +5,83%),
Bradespar PN (BRAP4, +4,48%),
TIM Part PN (TCSL4, +4,00%),
VCP ON (VCPA3, +3,17%) e Net PN N2 (NETC4, +2,97%).
Por outro lado, as ações
Gol PN N2 (GOLL4, -3,81%),
TAM PN N2 (TAMM4, -2,62%),
Brasil Telecom PN (BRTO4, -1,48%),
Redecard ON (RDCD3, -1,08%) e B2W Varejo ON (BTOW3, -1,08%).
encerraram a manhã em queda.

Os maiores volumes ficaram com
Vale PNA (VALE5, R$ 508,47 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 444,23 milhões), Bradesco PN (BBDC4, R$ 231,29 milhões), Itau Unibanco PN (ITUB4, R$ 186,19 milhões) e Usiminas PNA (USIM5, R$ 148,09 milhões).


Agenda

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O número de pedidos de auxílio-desemprego ficou abaixo do esperado pelo mercado na última semana nos EUA, conforme os dados divulgados pelo Departamento de Trabalho norte-americano nesta quinta-feira. O Initial Claims referente à última semana registrou um total de 521 mil novos pedidos, número inferior às estimativas de analistas, que estavam em torno de 540 mil. O índice também ficou abaixo da medição passada, que foi revisada para 551 mil.

A quinta-feira também é marcada pela divulgação do orçamento do governo norte-americano. No ano fiscal de 2009, o Estado registrou déficit de US$ 1,4 trilhão, o maior saldo negativo desde 1945. A cifra atinge 9,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, o triplo da relação vista no ano fiscal de 2008.

Na Europa, o foco fica com os rumos da política monetária do BoE (Bank of England) e do BCE (Banco Central Europeu). O primeiro não apenas manteve a taxa básica de juro do Reino Unido em 0,5% ao ano pelo sétimo mês consecutivo, como também não alterou o programa de compra de ativos de £ 175 bilhões.

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Já em relação ao BCE, a decisão também foi pela manutenção do juro básico em 1,0% ao ano.

Por aqui, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta manhã os dados do IPCA ( Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro, que marcou alta de 0,24% nos preços, em linha com o esperado. O instituto também anunciou a Pesquisa Industrial de Emprego e Salário, mostrando alta de 0,3% no emprego industrial em agosto.

E o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) registrou alta de 0,16% em setembro, taxa 0,08 ponto percentual acima da apurada em agosto (0,08%). No acumulado em 12 meses, a variação foi de 4,45%, próxima à mostrada no mesmo período de 2008 (4,44%).

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou também a Pesquisa Industrial de Emprego e Salário, mostrando uma alta de 0,3% no emprego industrial em agosto.

O foco, porém, fica com índices de inflação. Enquanto o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) de 7 de outubro marcou inflação de 0,25%, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apontou alta de 0,24% nos preços, praticamente em linha com as projeções contidas no relatório Focus (+0,25%).

Dólar

Com o otimismo mantido nos mercados, o dólar comercial segue no campo negativo durante a tarde, com queda em torno de 0,6%, cotado por volta de R$ 1,746. Mantida esta tendência, a moeda deve renovar sua mínima no ano, que se encontra no patamar de R$ 1,751.