Influência argentina pode pressionar aumento dos juros no Brasil

A situação econômica da Argentina preocupa os investidores, já que sem alternativas de financiamento do déficit público, somado a uma queda na arrecadação fiscal em setembro, é cada vez maior a chance de que o país não consiga honrar seus compromissos externos. Como reflexo, o mercado brasileiro sofre a influência negativa na taxa de câmbio […]

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A situação econômica da Argentina preocupa os investidores, já que sem alternativas de financiamento do déficit público, somado a uma queda na arrecadação fiscal em setembro, é cada vez maior a chance de que o país não consiga honrar seus compromissos externos. Como reflexo, o mercado brasileiro sofre a influência negativa na taxa de câmbio e no mercado de ações. Em resposta, o Banco Central poderá retomar a política de aumento dos juros no Brasil, para tentar minimizar o contágio da crise do país vizinho à economia nacional.

Há algum tempo, o governo da Argentina aprovou a política de déficit zero, que indica que os gastos públicos não podem superar a receita fiscal do país. Para efetivamente atingir este equilíbrio, o governo anunciou cortes dos salários e de aposentadorias do funcionalismo, além de outras medidas extremamente impopulares, como o pagamento de salários com títulos públicos. Contudo, em setembro, o ministro da Economia argentina Domingo Cavallo anunciou uma queda de mais de 14% na arrecadação fiscal em relação ao ano anterior.

Desta forma, a política do déficit zero pode ser comprometida, o que resultou numa maior percepção do risco país na visão dos investidores. Isso pode ser traduzido como o aumento da desconfiança internacional de que o país terá condições de retomar investimentos e empréstimos estrangeiros para sair do cenário de recessão que já enfrenta há anos. Para não comprometer esta política o governo só tem duas alternativas no curto prazo: ou reduz ainda mais os gastos públicos e perde definitivamente o controle do crescimento econômico, já que não poderá investir, ou aumenta os impostos e compromete o crescimento da economia com a maior carga tributária.

Para piorar a situação, no próximo dia 14 de outubro, a população vai às urnas para eleger o novo legislativo. Como o atual governo de Fernando de la Rúa sofre enorme rejeição, a oposição ganha maior visibilidade e pode se tornar vitoriosa na eleição. Com isso, a movimentação do governo passa a ser ainda mais restrita e as medidas consideradas primordiais devem ficar emperradas sem que provavelmente haja concessões à oposição. Neste cenário, o principal nome do governo que deve arcar com as conseqüências é Domingo Cavallo, que em última instância pode até ser substituído.

Esta pressão argentina pode levar o dólar no Brasil a superar os R$ 3,00, gerando uma forte pressão inflacionária, que pode terminar comprometendo as metas de inflação acordadas entre o governo brasileiro e o FMI para este ano. Em resposta, uma das alternativas do BC é aumentar a taxa de juros referencial no país, o que poderia atrair mais capital externo e conseqüentemente geraria maior entrada de recursos em moeda estrangeira.

A tendência internacional tem sido a queda dos juros nas economias mais desenvolvidas, o que possibilitou que o BC mantivesse sua postura de manutenção dos juros no Brasil, indicando que não comprometeria o crescimento econômico brasileiro por um leve ajuste das taxas de inflação às metas. Contudo, se a desconfiança em relação à Argentina se intensificar e houver desvalorização cambial e/ou moratória a atitude do BC poderá ser alterada.

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Sob a influência de rumores que davam conta de que uma reunião do governo argentino marcada para hoje poderia terminar em mais um pacote econômico, o nono de quase dois anos de governo De la Rúa, o mercado corre para se proteger. Os boatos aumentam com o feriado no mercado argentino na próxima segunda-feira. Com limitadas alternativas, o governo garante que por enquanto nada muda, mas a pressão é para que ocorra o contrário. Mesmo uma possível desvalorização possa gerar falências e uma deterioração econômica da Argentina ainda maior no curto prazo, esta pode ser a única saída para a retomada da expansão econômica.

No Brasil, o negativismo argentino gera influencias até que a situação seja resolvida. Neste momento, os investidores encontrarão maior espaço para que os fundamentos do mercado brasileiro possam sobressair. Desta forma, os juros tendem a subir com uma maior desconfiança à Argentina, caso o dólar continue sendo fortemente pressionado no curto prazo. Caso a situação na Argentina se resolva, pode haver a retomada da tendência de queda, o que também deve ocorrer com o dólar. Desta forma, a taxa de câmbio pode retomar patamares mais coerentes frente ao real e a economia brasileira retomar o eixo do crescimento econômico.

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