Inflação nos EUA, Haddad na Câmara, novo decreto do IOF e falas de Galípolo e Motta

Veja as principais notícias que devem mexer com os mercados hoje

Murilo Melo Felipe Moreira

(Foto:  Tânia Rêgo/Agência Brasil)
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Publicidade

O principal dado econômico desta quarta-feira (11) é o índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos referente a maio, que será divulgado às 9h30. Os números podem influenciar as expectativas em torno da decisão sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed), marcada para a próxima semana. Analistas consultados pela Reuters projetam uma alta de 0,2% em relação a abril e de 2,5% na comparação anual.

No Brasil, os investidores acompanham a divulgação do fluxo cambial semanal, prevista para as 14h30. O mercado ainda assimila o IPCA de maio, divulgado na véspera pelo IBGE, que registrou alta de 0,26%, abaixo das expectativas, e fez a inflação anual recuar para 5,32%. Apesar dessa desaceleração, os preços dos serviços seguem elevados, o que mantém a cautela dos economistas. Por isso, a maioria espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic em 14,75% na próxima reunião, com uma possibilidade residual de alta para 15%.

Na seara política, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa hoje de audiência na Câmara, quando deve defender as medidas alternativas ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O que vai mexer com o mercado nesta quarta

Agenda

Nesta quarta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, terá uma agenda intensa em Brasília. Pela manhã, das 8h30 às 9h, participará da palestra de abertura do 3º Simpósio Liberdade Econômica. O evento será aberto à imprensa, presencialmente e por transmissão. Em seguida, das 9h30 às 10h30, terá audiência com representantes da Unionpay. Às 11h, até 11h45, reunirá-se com Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Norberto Martins, assessor especial, e Adauto Modesto, secretário-executivo. No período da tarde, das 13h30 às 14h30, Gabriel Galípolo encontrará Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola, e Wilson Vaz, secretário adjunto de Política Agrícola.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também participará do 3º Simpósio Liberdade Econômica.

Às 10h, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, participa de audiência pública das comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara.

Brasil

14h30 – Fluxo cambial (semanal)

EUA

09h30 – Inflação (maio)

11h30 – Estoques de petróleo (semanal)

Continua depois da publicidade

INTERNACIONAL

Acordo base

Após dois dias de negociações em Londres, representantes dos Estados Unidos e da China anunciaram nesta terça-feira (10) um consenso sobre o comércio entre os países. Segundo um comunicado divulgado pelas duas delegações, foi estabelecido um “arcabouço para implementar o consenso de Genebra”, firmado em conversas anteriores entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump.

EUA e México

Os EUA e o México estão próximos de um acordo que removeria as tarifas de 50% sobre importações de aço impostas pelo presidente Donald Trump, até um certo volume, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Impedimento

O governo da Califórnia entrou na Justiça dos EUA para impedir o envio de tropas federais ordenado por Donald Trump a Los Angeles, onde protestos contra ações migratórias seguem pelo quinto dia. O governador Gavin Newsom criticou a medida, chamando-a de autoritária e inconstitucional. Trump ameaçou invocar a Lei de Insurreição de 1807, que permite o envio de militares em situações de desordem. Já foram enviados cerca de 700 fuzileiros e 2.100 membros da Guarda Nacional. Parlamentares democratas e líderes locais se opõem à militarização dos protestos. O Pentágono defende a presença das tropas como apoio a agentes federais.

Continua depois da publicidade

Possível sucessor

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi citado como possível sucessor de Jerome Powell no comando do Federal Reserve, segundo a Bloomberg — informação negada pela Casa Branca, que classificou a reportagem como falsa. Bessent, que lidera propostas econômicas de Trump, se junta a nomes como Kevin Warsh na lista de cotados. A especulação cresce enquanto Trump promete anunciar um substituto “em breve” e pressiona por cortes agressivos nos juros. O ex-presidente voltou a criticar Powell após dados fracos de emprego, pedindo redução de 1 ponto percentual nas taxas.

ECONOMIA

Novo decreto do IOF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa nesta quarta-feira de uma reunião das comissões de Finanças e Tributação; Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. O principal tema do encontro deve ser o pacote alternativo ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O governo deve recuar parcialmente em mudanças na taxação de operações de crédito de empresas, de risco sacado e de planos de previdência privada, entre outros. Já as novas medidas propostas devem incluir a cobrança de 5% de Imposto de Renda de aplicações financeiras hoje isentas, como LCI e LCA, e a adoção de uma alíquota uniforme de 17,5% para os demais investimentos no mercado financeiro, incluindo criptomoedas. Atualmente, a tributação é regressiva, de 22,5% a 15%, conforme o tempo que o recurso fica aplicado.

Continua depois da publicidade

Haddad disse nesta terça que foram os parlamentares que propuseram o aumento de IR sobre a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP), de 15% para 20%. O ministro Haddad ainda havia adiantado que a tributação sobre as bets deve aumentar de 12% para 18%, assim como a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) das fintechs,de 9% para 15%.

Isenção

A isenção na conta de luz para famílias de baixa renda começa a valer em julho, segundo decisão da Aneel. O benefício zera o custo de até 80 kWh mensais para inscritos no CadÚnico. Ao todo, 17,1 milhões de consumidores terão direito, sendo 4,5 milhões totalmente isentos da tarifa. A medida foi criada pela MP 1.300, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. Os custos serão repassados aos demais consumidores, mas o governo promete compensações futuras. A proposta enfrenta resistência no Legislativo, com mais de 600 emendas apresentadas.

Alternativa

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição estuda um novo modelo de financiamento imobiliário, diante da queda estrutural da poupança, principal fonte do setor. A alternativa deverá envolver captação no mercado financeiro. A Caixa Econômica Federal propõe a redução do compulsório da poupança de 20% para 15%, o que liberaria até R$ 80 bilhões. Hoje, as LCIs já superam a poupança como fonte de crédito, mas podem ser afetadas por fim de isenção do IR. O setor busca soluções para manter taxas acessíveis, especialmente para a classe média.

Continua depois da publicidade

Nova regra

O governo federal retirou o limite de um único contrato consignado por trabalhador CLT, permitindo agora até nove empréstimos simultâneos, desde que o total não ultrapasse 35% do salário líquido. A mudança, já em vigor, não menciona esse número nas portarias, pois o objetivo é manter flexibilidade — com previsão futura de até 12 contratos. Também já está ativa a portabilidade e renegociação de consignados. O desconto automático do FGTS em caso de inadimplência ainda depende da integração de sistemas, prevista para julho, segundo a Folha de S.Paulo.

Exportação de ovos

As exportações brasileiras de ovos para os Estados Unidos cresceram 996% entre janeiro e maio, impulsionadas pela escassez causada pela gripe aviária. Só em maio, o aumento foi de 1.384%, com os EUA respondendo por 42,8% das exportações. O país enfrenta alta recorde nos preços e já perdeu 170 milhões de aves desde 2022. O Brasil também exporta para Chile, Emirados Árabes e Japão. Apesar de um foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o setor mantém ritmo forte, e o país pode retomar o status de livre da doença em 18 de junho.

POLÍTICA

Tributação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu na terça-feira (10) a tributação de 5% sobre títulos de renda fixa que hoje são isentos, afirmando que a medida corrige distorções no mercado de crédito e favorece o sistema financeiro. Segundo ele, a proposta visa equilibrar a carga tributária entre diferentes produtos. Haddad também confirmou a unificação da alíquota de Imposto de Renda para aplicações financeiras em 17,5% e o aumento da taxa sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 20%, medida que, segundo o ministro, foi sugerida por parlamentares em nome da justiça tributária.

Apresentação

Haddad afirmou na terça-feira (10) que apresentou ao presidente Lula as medidas fiscais discutidas com o Congresso no fim de semana. Segundo ele, as propostas são estruturais e voltadas à justiça tributária, atingindo a alta renda, como no caso das bets e investimentos isentos. O ministro citou o IPCA abaixo do esperado como sinal da convergência da inflação.

Nenhum prejudicado

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou na terça-feira (10) que recebeu do presidente Lula a orientação para apurar e punir os responsáveis pelas fraudes no INSS, garantindo que os aposentados e pensionistas lesados sejam ressarcidos. Queiroz participou de audiência pública na Câmara e destacou seu compromisso e responsabilidade no cargo, ressaltando que não está “inebriado” pela posição. Ele afirmou que a indignação com as fraudes é de toda a sociedade, incluindo governo e oposição, e lamentou a situação em um governo popular e democrático.

Depoimento de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em depoimento nesta terça-feira (10), ter participado de qualquer discussão sobre planos para um golpe de Estado após a eleição de Lula (PT) em 2022. Veja os principais pontos:

Suspenso

A ministra Cármen Lúcia pediu vista e suspendeu o julgamento da revisão da vida toda do INSS no STF, que ocorria no plenário virtual. O tema 1.102 discute se aposentados podem incluir contribuições feitas antes do Plano Real no cálculo da aposentadoria. Até agora, três ministros votaram: Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin contra a revisão, e André Mendonça a favor. Moraes defende que a decisão anterior que negou a correção deve valer, enquanto Mendonça argumenta que o caso atual é distinto e permite a revisão. O julgamento, iniciado na sexta (6), estava previsto para terminar dia 13.

(Com Reuters e Estadão)