Inflação medida pelo IPC sinaliza desaceleração, mas segue elevada

Transporte segue pressionando IPC, enquanto alta dos preços dos alimentos interrompe seqüência de desaceleração

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SÃO PAULO – A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP divulgou, na manhã desta quarta-feira, a variação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à terceira quadrissemana de fevereiro. Nesse período, o IPC registrou inflação de 1,83%, abaixo dos 1,95% contabilizados na terceira prévia de janeiro e dos 2,13% apurados na segunda quadrissemana de fevereiro.
Desta forma, a inflação medida em São Paulo interrompe a seqüência ascendente e registra leve desaceleração, a respeito do ocorrido na última prévia deste mês.
Mercado aposta em desaceleração da inflação

As expectativas contidas no relatório Focus do Banco Central, que compila a opinião de cem analistas, apontava para elevação de preços da ordem de 1,25% para o mês de fevereiro.
Dessa forma, o mercado espera que a inflação medida pela Fipe venha mostrar sinais mais concretos de desaceleração na próxima divulgação do índice, que englobará o mês fechado de fevereiro.

Alta do preço dos alimentos interrompe desaceleração

A inflação medida por todos os itens apresentou leve desaceleração, com exceção da alta dos produtos relativos à alimentação e vestuário. Assim, os preços do item alimentação registraram alta de 1,75%, acrescentando 0,395 ponto percentual do IPC.
Ainda pressionado pelo repasse da alta do dólar aos produtos, o preço dos alimentos interrompeu a seqüência de desaceleração que vinha sido registrada nas últimas quadrissemanas, visto que a inflação deste item registrada na segunda prévia de fevereiro chegou a 1,47%.
Por sua vez, os preços relativos ao item vestuário também interromperam a seqüência de variações negativas e apresentaram inflação de 0,62%, em função da entrada da nova coleção de outono em muitas lojas, adicionando 0,033 ppt do IPC.
Alta dos transportes segue pressionando IPC

Já o reajuste médio dos preços relativos a transportes atingiu 6,01%, abaixo dos 7,81% apurados na segunda prévia, colaborando com 0,940 ponto percentual do índice, em função da elevação dos combustíveis e da tarifa de ônibus urbano.

Além disso, o IPC foi pressionado pela alta do item educação, visto que os reajustes das mensalidades escolares costumam concentrar-se no início do ano. Nesse sentido, os preços relativos à educação subiram 2,57% mas sinalizaram desaceleração, frente aos 4,41% registrados na prévia anterior e, devido à baixa ponderação do item no IPC, a alta contabilizada ao índice foi de 0,096 ponto percentual.
Os produtos que compõem o item saúde registraram inflação média de 0,98% e contribuíram com 0,069 ponto percentual do IPC. Apresentaram variações intermediárias os itens despesas pessoais (+0,62%) e habitação (+0,64%), contribuindo com 0,076 ppt e 0,209 ppt, respectivamente.
O IPC é divulgado semanalmente pela FIPE. A pesquisa de preços é feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham entre 1 e 20 salários mínimos. A cada divulgação, a semana a que se refere à coleta de dados substitui a primeira semana da coleta do período passado. No fim do mês é calculada a taxa referente ao mês em questão sendo comparada com a taxa do mês anterior.