Inflação impacta na inadimplência, que continuará subindo neste ano

Especialistas explicam que inflação corrói as sobras do orçamento, diminuindo a capacidade de pagamento dos consumidores

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SÃO PAULO – A inflação pode estar desacelerando, mas sua trajetória de elevação nos últimos meses já causou impactos nas taxas de inadimplência, que sobem desde o fim do ano passado, segundo dados da Serasa. Ainda que não sejam os principais fatores para o não pagamento das dívidas, a inflação e o encarecimento do crédito também desestabilizam o orçamento de muitas famílias.

“A inflação afeta o poder de compra e a capacidade de pagamento da população”, explica o gerente de indicadores de mercado da Serasa, Luiz Rabi. “Agora, você desembolsa mais para comprar as mesmas coisas de antes”. Com isso, sobra menos no final do mês para pagar financiamentos em andamento.

O economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, concorda que, do jeito que está, a inflação corrói a renda dos consumidores. Mas ela não gera um impacto direto na inadimplência. “Ela tem impacto quando há uma queda na renda e isso não tem acontecido. Por enquanto, os reajustes salariais estão acima da inflação, dando ganho real aos consumidores”, afirma.

Solimeo enfatiza que o desemprego é a maior causa da inadimplência para os consumidores e, com o mercado de trabalho ainda aquecido, ele não deve elevar a taxa. “Dentre as variáveis econômicas, o desemprego é o motivo mais citado. Mas não é o único”, enfatiza Rabi, que ainda reforça que, ao contrário do ano passado, os reajustes salariais não devem ficar tão acima da inflação, podendo até ficar abaixo do índice de preços. “Vai ser mais difícil as negociações reporem a inflação e não teremos tantos aumentos reais”, afirma.

Aumentos
Nesse sentido, acredita Rabi, a tendência é de que a inadimplência continue subindo nos próximos meses. “O nosso indicador aponta que até o início do próximo semestre a inadimplência esteja subindo”, afirma. Esse aumento acontecerá ainda que ocorra uma desaceleração mais efetiva da inflação.

Isso porque, conforme explicam os especialistas, o encarecimento do crédito também pesa no orçamento das famílias. “A taxa deste ano deve ficar maior que a do ano passado, por causa do aumento dos juros e da diminuição dos prazos de financiamento, que acaba tendo um peso maior na conta do consumidor”, afirma Solimeo.

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A inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), passou de 0,79% em março para 0,77% em abril. O leve recuo foi comemorado pelo Governo e sinaliza, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o pior da inflação está passando.

Já a taxa de inadimplência, segundo os indicadores do Serasa, aponta uma alta de 21,4% no primeiro trimestre deste ano, contra o mesmo período de 2010. Somente em março, a alta foi de 14,4% frente a março de 2010 e de 3,5% na comparação com fevereiro.

Driblando a inflação
Para Rabi, os consumidores que não querem entrar nas listas de inadimplência devem, então, fugir dos financiamentos. “Agora não é o melhor momento para se endividar. O momento é de evitar assumir novos financiamentos”, afirma.

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Ele enfatiza que as medidas macroprudenciais do Governo mudaram as condições de crédito. “As condições não estão favoráveis. O ideal seria aproveitar que o juro está mais alto para fazer alguma aplicação financeira”, considera o economista.