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SÃO PAULO – Se os EUA enfrentarão um período de recessão, ou os impactos da crise subprime trarão apenas um maior desaquecimento da maior economia do mundo, ainda não há consenso nos mercados. Na próxima sexta-feira (28) será divulgada a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no quarto trimestre, o que deve dar escopo a tal discussão.
O que há de informação, por ora, é que a trajetória de flexibilização monetária promovida por Ben Bernanke e os demais membros do Federal Reserve desde agosto de 2007 começa a exercer pressão positiva sobre os preços.
Na semana passada, o CPI (Consumer Price Index) já havia mostrado inflação maior do que a esperada pelo mercado. Eis que nesta terça-feira (26) o Producer Price Index, ou PPI, agravou o já desconfortável cenário inflacionário nos EUA.
O índice de preços ao produtor norte-americano registrou inflação de 1% em janeiro, revertendo o movimento de queda nos preços vista no mês anterior e superando as expectativas do mercado (+0,4%). O núcleo do indicador – Core PPI – também trouxe preocupação ao quadro inflacionário, ao apontar alta nos preços de 0,4%, o dobro da esperada (+0,2%) pelo mercado.
E agora, Bernanke?
A dúvida que fica agora é quanto aos próximos passos do Fed diante de um cenário de iminente risco econômico adjunto de pressões inflacionárias.
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Na avaliação de Inês Filipa Marques Pereira, economista da Arkhe Corretora, os investidores, já preocupados com as atuais cotações do petróleo, mostram temor adicional com os dados do PPI desta terça-feira. O cenário para a redução na Fed Funds Rate piora, e a resposta dos mercados é negativa.
Apesar de manter a aposta de corte de 50 pontos-base no juro básico norte-americano na próxima reunião do Fed, a não ser que dados econômicos a serem divulgados tragam mudança nas expectativas do mercado, o banco de investimentos BMO Capital corrobora a percepção de que a autoridade monetária norte-americana terá dificuldade em conciliar sua política de flexibilização monetária, que busca mitigar o risco de recessão no país, frente à atual dinâmica dos preços.
Recado aos otimistas
A consultoria First Trust Advisors adiciona dois importantes elementos a esta discussão. Primeiramente, a alta nos preços do núcleo do PPI mostra que a inflação não se apresenta em alto patamar em setores específicos, os seja, uma eventual desaceleração nos preços do petróleo e de commodities agrícolas não traria tanto alívio a este cenário.
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O segundo ponto abordado pela instituição faz uma crítica àqueles que acreditam que um desaquecimento na economia dos EUA resultaria em melhora no quadro inflacionário.
De acordo com a First Trust Advisors, dado o estímulo monetário, o comportamento ascendente dos preços tende a vir mais cedo que uma resposta do lado real da economia. Basta observar os recentes e fracos indicadores econômicos dos EUA e a contínua deterioração do setor imobiliário.
Os EUA encontram na inflação um problema à condução de política monetária, problema este que demonstra sinais de piora.