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SÃO PAULO – “Desconfortavelmente alto”. Foi assim que Ben Bernanke qualificou o atual nível do núcleo da inflação norte-americana em discurso realizado na última terça-feira.
De fato, dados publicados de forma subseqüente corroboraram as palavras do chairman do Fed. O núcleo do índice de preços PCE, uma das medidas de inflação mais acompanhadas pelo banco central dos EUA, subiu 0,2% em outubro, a mesma variação apurada em setembro.
O preocupante é que, em bases anuais, o indicador acumula alta de 2,4%, acima do limite superior do intervalo considerado confortável pela trupe comandada por Bernanke, de 2%.
Mais pressões
Muito embora tenham sido claras as evidências de desaceleração da inflação nos EUA, o que se vê é que esta ainda se mantém elevada. E um outro aspecto pode atrapalhar os planos da autoridade monetária norte-americana de fazê-la convergir para um nível inferior a 2% ao ano: o enfraquecimento do dólar.
A moeda atingiu nesta semana seu menor patamar em vinte meses frente ao euro, trazendo o prognóstico de produtos importados mais caros. Obviamente, teme-se uma contaminação dos demais preços da economia, com impacto significativo sobre a inflação corrente.
Em resumo, realmente não parece ser muito confortável o panorama para o nível geral de preços dos EUA. Olho no Fomc!