Inflação confirma processo de acomodação em agosto, segundo Ata do Copom

Núcleos do IPCA diminuem ritmo de elevação em agosto; maior avanço da inflação refletiu alta dos preços administrados

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SÃO PAULO – As projeções para o desempenho dos preços nos próximos meses continuam otimistas, pelo menos de acordo com o apontado pela Ata do Copom, divulgada na manhã desta quinta-feira pelo Banco Central, trazendo, dentre outras coisas, os pontos que fundamentaram o corte de dois pontos percentuais na taxa básica de juro durante a reunião do Comitê de Política Monetária entre os dias 16 e 17 de setembro.

De uma maneira geral, o documento apontou para uma continuidade do controle dos preços no mês de agosto, ressaltando que o maior avanço da inflação foi pontual, refletindo tão somente a maior alta dos preços monitorados. Assim, espera-se que em setembro os índices de preços voltem a apurar inflação maior que aquela registrada em agosto, de forma que a partir de outubro, os preços administrados deverão perder fôlego e registrar altas menos expressivas.

Preços monitorados explicam maior inflação em agosto

Neste sentido, analisando-se a tendência do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), utilizado pelo governo na definição de suas metas de inflação, a Ata do Copom concluiu que a inflação permanece sob controle, especialmente se for analisada a evolução do núcleo do índice, que vem apresentando altas cada vez menores. Dessa maneira, apesar do IPCA ter apresentado alta de 0,34% em agosto, maior, portanto, que a inflação de 0,20% em julho, o núcleo do índice, pelo método das médias aparadas, elevou-se 0,58% em agosto, contra a alta de 0,65% em julho.

Considerando-se o núcleo do IPCA obtido pela exclusão dos preços administrados e monitorados e dos alimentos no domicílio, tem-se uma alta de 0,37% em agosto, mesma variação que aquela registrada no mês anterior, o que aponta para uma acomodação do processo inflacionário no sentido geral, conforme salientado pela Ata do Copom. Dessa forma, como o próprio documento do BC apresenta, pode-se concluir que os núcleos de inflação, em qualquer uma das metodologias, vem apresentando trajetória decrescente.

Com relação à evolução do IPCA propriamente dito, a análise de seus componentes divididos por categorias entre preços administrados e monitorados e preços livres, confirma o que foi exposto acima. Para se ter uma idéia, considerando-se a variação positiva de 0,34% registrada pelo índice em agosto, os preços monitorados contribuíram com nada menos que 0,24 ponto percentual (+0,85%), enquanto os preços livres adicionaram o 0,10 ponto percentual restante (+0,14%).

Projeções de menor inflação levaram à queda dos juros

Além disso, outro aspecto levado em conta pela autoridade monetária em sua reunião de setembro diz respeito às projeções coletadas pelo BC para a inflação dos próximos doze meses e em 2004. Neste sentido, a mediana das expectativas sofreu um ligeiro aumento entre agosto e julho, apontando para uma inflação de 6,5% nos doze meses terminados em agosto de 2004, 0,1 ponto percentual acima dos 6,4% projetados anteriormente. Com relação à inflação em 2004, a projeção manteve-se estável, em 6,2%.

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Assim, o maior avanço do processo de desinflação, considerando-se a análise dos núcleos e dos preços livres, vem diminuindo os riscos envolvidos nas projeções para a trajetória futura da inflação, abrido, espaço, dessa maneira, para o corte de dois pontos percentuais da Selic anunciado pelo Copom em setembro. Vale lembrar que após a decisão da autoridade monetária, a taxa básica de juro da economia brasileira passou de 22,0% ao ano para 20,0% ao ano, em linha com o que vinha sendo projetado pelo mercado.

Ata do Copom não trouxe grandes surpresas

Em relação à atividade econômica, o documento do Banco Central continua otimista, apostando em um maior crescimento econômico no segundo semestre deste ano. O Copom acredita, neste sentido, que a economia já vem dando sinais de que está revertendo o fraco desempenho apresentando no primeiro semestre, quando tanto a atividade comercial quanto a industrial mostraram-se desaquecidas.

Percebe-se, dessa maneira, que o documento não trouxe grandes novidades, sintetizando apenas as projeções que já vinham sendo traçadas pelo mercado. O teor da Ata do Copom de setembro segue aquele apresentado nos dois últimos meses, pelo menos no que se refere às projeções futuras para inflação e fundamentos orientadores da política monetária.