Inflação ainda demanda cuidados e Selic deverá aumentar, afirma LCA

Consultores avaliam que pressão dos preços deve-se principalmente a baixa ociosidade na economia; já as commodities aliviam pressão

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SÃO PAULO – Os consultores da LCA avaliam que a despeito da desaceleração da inflação registrada recentemente, o ritmo de elevação dos preços no Brasil ainda demanda atenção por parte das autoridades monetárias. Desta forma, a expectativa é que a taxa Selic seja novamente elevada em 0,25 ponto percentual em julho, aumento este que não necessariamente significaria o fim do ciclo de aperto monetário.

Segundo os consultores, esse alívio da pressão inflacionária acontece principalmente em função da “descompressão das cotações internacionais das commodities”. Esse alívio proveniente das matérias primas básicas, por sua vez, estaria acontecendo por conta da “diluição de choques de oferta” e da queda na demanda global por esse tipo de produto.

Atacado e varejo
Entretanto, a equipe da LCA lembra que o alívio propiciado por essa descompressão na cotação das commodities vem acontecendo principalmente pelo lado dos preços no atacado.

“A transmissão desse alívio para os preços ao consumidor vem ocorrendo principalmente no caso de alimentos e combustíveis”. Porém, ainda não teria sido suficiente para aliviar, de modo consistente, as medidas de núcleo e as taxas de dispersão dos índices de varejo, fato que denota uma persistência da inflação ao consumidor.

O alívio também não teria sido suficiente para reduzir de maneira “mais evidente” as expectativas do mercado para a inflação neste ano e em 2012, com as projeções mantendo-se acima do centro da meta de 4,5% ao ano.

Baixa ociosidade justifica aperto
Na avaliação dos consultores da LCA, a inflação ao consumidor ainda fortalecida é explicada principalmente pelo “fortalecido mercado de trabalho”. Nesse sentido, eles lembram que na edição de maio da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que enquanto a taxa de desemprego segue em patamares historicamente baixos, o rendimento médio real do trabalho apresentou aceleração.

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Além disso, o grau de utilização da capacidade instalada na indústria continua elevado, o que mostra a “estreita margem de ociosidade na economia doméstica”. Essa reduzida ociosidade já seria conhecida do Copom (Comitê de Política Monetária), que na ata da sua última reunião teria afirmado que está atento aos riscos disso para o cumprimento das metas de inflação.

Por fim, os consultores revelam a expectativa de que a taxa básica de juro será elevada em 0,25 ponto percentual na reunião do Copom no próximo dia 20 e que “são consideráveis as chances de que o ciclo de ajuste em curso seja prolongado para além desse horizonte”.