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SÃO PAULO – A indústria brasileira deve expandir sua capacidade instalada em 8% ao longo deste ano, atingindo o mesmo percentual de evolução verificado em 2004. Pelo menos esta é a expectativa dos empresários ouvidos pela edição de janeiro da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas.
Para o triênio 2005-2007, a média de crescimento projetada para a capacidade produtiva é de 19%, taxa superior à prevista em 2004, que havia alcançado 17%.
Este ritmo de evolução só não é maior porque os industriais ainda encontram uma série de fatores que limitam o processo de desenvolvimento do setor. Para 58% das 1.020 companhias ouvidas, a pesada carga tributária é o principal problema. O segundo obstáculo mais votado, com 23% do total, são as taxas de juros. Ocupando a terceira colocação aparece a infra-estrutura deficiente, entrave apontado por 10% das empresas.
Bens de capital devem liderar investimentos
Entre todos os setores da indústria, aquele que deve realizar mais investimentos em 2005 é o de bens de capital, que espera ampliar sua capacidade instalada em 9% no decorrer do ano. A taxa é significativa, mas inferior à evolução de 10% registrada em 2004.
Na seqüência aparecem as categorias de bens de consumo e materiais de construção, com previsões de incremento médio da ordem de 8%. Já os bens intermediários apostam em ampliação do parque industrial próxima de 7%, melhorando em um ponto percentual seu desempenho do ano passado.
Na análise por gêneros industriais, a expectativa mais otimista é do segmento de material elétrico e de comunicações, que prevê expansão de 17% em sua capacidade produtiva. Logo atrás estão vestuário e calçados, com elevação de 12%, mobiliário (10%) e produtos alimentares (10%).
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Vale destacar que a aposta de comportamento positivo para estas atividades se justifica principalmente pela recuperação do mercado interno.
Investimentos devem evitar esgotamento da capacidade
Embora a atividade industrial tenha apresentado acentuado ritmo de expansão no último ano, a manutenção deste crescimento em 2005 não deve causar o esgotamento da capacidade produtiva do setor.
Apenas 9% das companhias industriais analisadas pela FGV consideram a hipótese de se tornarem incapazes de atender a demanda por suas mercadorias durante este ano, caso o consumo prossiga aumentando nos próximos meses.
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Em contrapartida, outros 71% das empresas desconsideram esta hipótese mesmo em um horizonte superior a um ano. Os 20% restantes do universo analisado acreditam que suas atuais capacidades instaladas podem não ser suficientes a partir de 2006.
Quem não teme estrangulamento de seu poder de produção nem no prazo de dois anos acredita que isso se deve, sobretudo, pela realização de investimento na ampliação do parque industrial. A metade deste grupo de empresários pensa assim. A existência de ociosidade na produção é apontada por outros 20% dos entrevistados como a principal justificativa.