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SÃO PAULO – Após o advento da marcação a mercado, que obrigou os gestores dos fundos de investimentos a fazerem ajustes que, em alguns casos, implicou perdas mesmo para fundos de menor risco, como de Renda Fixa e DI, a indústria de fundos ainda amarga captação negativa de R$ 55,8 bilhões nos últimos 360 dias encerrados em 28 de fevereiro.
No entanto, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos), os investidores começam a voltar a aplicar em fundos de investimentos, dando seqüência ao movimento evidenciado em janeiro, quando a indústria de fundos registrou captação positiva de R$ 9,442 bilhões em janeiro, mês que passou a registrar a terceira maior entrada de recursos da história.
Assim, a indústria de fundos registrou captação positiva líqüida de R$ 4,27 bilhões em fevereiro, totalizando ingresso de recursos da ordem de R$ 13,27 bilhões no acumulado do ano.
Alta rentabilidade e reversão das expectativas
Após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma reversão das expectativas mais pessimistas do mercado, frente ao discurso do novo governo que se comprometeu em não romper os contratos da dívida do país, além de manter as metas de inflação e de superávit primário.
Desta forma, muitos ativos que se encontravam bastante depreciados se recuperaram, dentre eles os títulos da dívida pública, presentes em grande parte dos fundos de investimentos, o que melhorou a rentabilidade dos fundos. Além disso, a elevação da Selic nos últimos meses, que saltou de 18% ao ano em outubro para 26,5% ao ano em fevereiro, também colaborou para aumento do rendimento de tais investimentos.
Fundos Renda Fixa e Mistos são destaque de captação
Assim, os fundos de Renda Fixa e Mistos, que destinam parte de seus recursos a títulos públicos, registraram expressivas captações líqüidas de R$ 2,25 bilhões e R$ 1 bilhão, respectivamente, em fevereiro, se destacando entre as demais categorias de fundos.
Da mesma forma, os fundos DI, que foram beneficiados pela elevação dos juros, registraram entrada líqüida de recursos da ordem de R$ 760 milhões em fevereiro, acumulando captação positiva de R$ 3,68 bilhões em 2003.
Na direção oposta, os fundos de ações se destacaram negativamente, tanto em termos de captação como de rentabilidade. Com o fraco desempenho da Bovespa em fevereiro, os fundos que aplicam no mercado de renda variável registraram captação negativa de R$ 160 milhões, ampliando a saída de recursos no ano para R$ 370 milhões.
Fundo FIEX foram destaque de rentabilidade
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Os fundos FIEX, pouco conhecidos por grande parte dos investidores, registraram o melhor desempenho em termos de rentabilidade. A categoria, que responde por apenas 0,16% do patrimônio da indústria de fundos, obteve expressiva rentabilidade positiva de 8,75% no mês, ampliando os ganhos para 13,37% no ano.
Tais fundos aplicam seus recursos em títulos da dívida externa brasileira negociados no exterior. Dentre eles, grande parte das aplicações é dirigida para compra de C-Bond, título que registrou expressiva alta em fevereiro frente à melhor percepção do investidor estrangeiro com relação ao Brasil.
Além disso, por serem cotados em dólares, o preço destes títulos se eleva quando o real se deprecia, o que ocorreu em fevereiro, impulsionando ainda mais o rendimento dos fundos FIEX.