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SÃO PAULO – O universo da indústria de fundos de investimento ainda é bastante confuso e complexo para a maioria dos brasileiros. Na prática, quem aplica num fundo de investimento espera rentabilidade acima da média, porém sem colocar em risco seu patrimônio.
Política de gestão não visa proteger investidor
Contudo, de acordo com estudo desenvolvido pela consultoria de gestão KPMG, juntamente com o instituto de pesquisa britânico Create, as administradoras de recursos de terceiros não vêm se preocupando em proteger seus investidores das adversidades econômicas.
O estudo foi baseado em entrevistas com executivos do alto escalão de 185 empresas mundiais, o que representa cerca de US$ 19 trilhões de ativos em gestão. Dentre algumas empresas que participaram do estudo estavam a alemã Allianz Dresdner Asset Management, a holandesa Robeco e a britânica Schoders.
Vale destacar que a pesquisa foi feita de forma individual e anônima, foi acordado sigilo absoluto entre aqueles que participaram da pesquisa e os entrevistadores. De acordo com a pesquisa, estima-se que 40% das administradoras de recursos devem apresentar prejuízo operacional em 2003.
Conflitos de interesse
Tal fato decorre da ausência de uma política que favoreça os bons investimentos, com base na qualidade de crédito das empresas, e do problema de conflito de interesse, principalmente nos casos em que a administradora de recursos encontra-se vinculada a uma instituição financeira ou seguradora.
Na opinião dos entrevistados, a maior preocupação dos responsáveis pelas carteiras de investimento atualmente reside neles próprios, ao invés de estar concentrada nos clientes e dos próprios empregadores, em decorrência dos elevados honorários, que em geral, não estão correlacionados aos rendimentos obtidos com as carteiras.
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Cortes insuficientes ou desnecessários
Além disso, o documento ressalta que os recentes cortes de custos promovidos nas administradoras de recursos ainda não foram suficientes, e em alguns casos, foram desnecessários. Entre as empresas entrevistadas, 20% realizaram cortes superiores a 20%, enquanto 60% reduziram em até 20% e cerca de 20% das empresas ainda não efetuaram qualquer tipo de corte.
Finalmente, o relatório divulgado pela KPMG/Create foi bastante crítico no sentido de “condenar” a atual forma de condução dos negócios no segmento de administração de recursos. Diante do cenário econômico atual, a situação da indústria de fundos deve ficar pior.
Segundo o mesmo documento, uma opinião praticamente unânime dos entrevistados é de que sejam criados fundos mais simples, com melhor nível de serviço e taxas administrativas compatíveis com o desempenho dos mesmos.
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Solução no curto prazo
Entretanto, embora a maioria dos problemas presentes na indústria de fundos seja conhecida pelos entrevistados, ainda parece cedo dizer que esses problemas serão solucionados no curto prazo. Por enquanto, apenas algumas gestoras de fundos iniciaram estudo prevendo atrelar as taxas de administração à rentabilidade da carteira em determinado período.
Cabe, assim, ao investidor se responsabilizar pela administração de seus recursos, buscando e questionando a gestora do fundo sobre a forma de condução da carteira de investimento. Enquanto a situação não se definir, é melhor que o investidor esteja sempre atento às alterações na indústria de fundos de investimento.