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SÃO PAULO – A redução dos investimentos estrangeiros diretos no decorrer do ano de 2002 foi
acompanhada por uma mudança significativa no perfil da aplicação dos recursos oriundos de tais
investimentos.
Os números divulgados pelo Banco Central na última semana corroboram uma tendência já verificada
nos primeiros meses do ano: a elevação de investimentos estrangeiros no setor industrial em
detrimento aos demais. De acordo com a Nota do Setor Externo relativa ao mês de novembro, a
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participação dos investimentos estrangeiros no setor industrial passou de 33,3% em 2001 para
38,6% em 2002, considerando-se o período compreendido entre os meses de janeiro e
novembro.
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Em números absolutos, tal variação corresponde a US$ 6,45 bilhões destinados ao setor industrial
em 2002 contra US$ 5,26 bilhões em 2001. Tal elevação pode, à primeira vista, parecer pequena.
Porém, é preciso lembrar que o saldo total de investimentos estrangeiros sofreu uma retração no
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período, passando de US$ 17,01 bilhões em 2001 para US$ 16,69 bilhões em 2002.
Setores de base são principal alvo dos investimentos
Além da macro-recomposição das participações de investimentos estrangeiros nos setores da
atividade econômica, um processo também perceptível nos números divulgados pelo Banco Central é o
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de uma micro-reestruturação em cada um dos setores.
Neste sentido, os dados pertinentes ao setor industrial ganham destaque novamente. Verifica-se
uma tendência de crescimento da participação dos investimentos estrangeiros em setores de base da
indústria, ou seja, naqueles que produzem as peças e insumos usados na fabricação de outros
produtos.
No segmento de fabricação e montagem de peças automotivas, a participação passa de 7,4% em 2001
para 9,7% em 2002. No caso dos produtos químicos, a alteração foi da ordem de 1,2 pontos
percentuais, passando de 7,3% em 2001 para 8,5% em 2002. Na área de máquinas e equipamentos, a
participação passou de 1,6% em 2001 para 2,1% em 2002.
Tal crescimento dos setores de base são muito importantes, uma vez que significam a possibilidade
de desonerar a balança comercial, já que denotam um claro processo de substituição de importações
nas áreas destacadas.
Setor de serviços sofre queda de investimentos
Apesar de continuar respondendo pela maior fração do ingresso de investimentos estrangeiros, o
setor de serviços vem sofrendo quedas representativas ao longo do ano. A participação dos
investimentos estrangeiros passou de 59,6% em 2001 para 57,7% em 2002.
Os grandes responsáveis pela queda no setor de serviços são os segmentos de intermediação
financeira (queda de 3,8 pontos percentuais), seguros e previdência privada (queda de 1,7 ponto
percentual), informática (queda de 2,2 pontos percentuais), construção (queda de 0,5 pontos
percentuais) e alojamento e alimentação (queda de 1,0 ponto percentual).
Em contrapartida, os investimentos estrangeiros em telecomunicações obtiveram crescimento
notável, passando de 19,6% em 2001 para 23,2% em 2002. Tal crescimento pode ser entendido como
desdobramento das privatizações ocorridas anteriormente, uma vez que estas exigiram investimentos
em consolidação e modernização do setor.
Os investimentos no setor elétrico também cresceram, passando de 6,9% em 2001 para 9,1% em
2002.
Investimentos no setor agrícola têm violenta queda
O setor mais desfavorecido na distribuição dos investimentos estrangeiros foi, sem dúvida, o
setor agrícola.
Se antes o setor já respondia por uma fração mínima dos investimentos, durante esse ano sua
situação ficou ainda mais delicada. Os investimentos neste setor passaram de 7,1% em 2001 para
3,7% em 2002, representando uma queda de 3,4 pontos percentuais.