“Indústria 5.0” com IA: China tem oportunidade de US$ 12 tri e Morgan destaca ações

Relatório aponta a inteligência artificial como motor da próxima revolução industrial chinesa, com potencial para transformar fábricas, impulsionar produtividade e criar um ciclo de investimentos de US$ 12 trilhões até 2035

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Em meio a discussões sobre os perigos do desenvolvimento da IA, o Morgan Stanley vê a China entrando em uma nova fase de desenvolvimento industrial, na qual inteligência artificial, robótica, automação e manufatura avançada devem substituir o modelo baseado sobretudo em escala produtiva e baixo custo. Em relatório de mais de 190 páginas, o banco afirma que o país está iniciando sua transição para a chamada “Indústria 5.0”, um movimento que pode gerar um ciclo de investimentos de US$ 12 trilhões até 2035 e redefinir a posição chinesa na cadeia global de valor.

Segundo os analistas do banco, a China já parte de uma posição privilegiada, uma vez que responde por cerca de 28% do valor adicionado da manufatura global, possui cobertura de todas as 666 subcategorias industriais definidas pela ONU e abriga mais de 30 mil fábricas inteligentes. O país também investiu aproximadamente 2,8% do PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2025, valor equivalente a R$ 3,93 trilhões.

Na avaliação do banco, o próximo passo será transformar essa infraestrutura em um sistema industrial mais inteligente, resiliente e capaz de definir padrões tecnológicos globais.

“O objetivo não é apenas fabricar produtos, mas exportar sistemas industriais completos”, afirma o relatório.

IA, robôs e automação no centro da estratégia

A tese do Morgan Stanley é que a próxima revolução industrial será baseada na chamada “IA física”, quando inteligência artificial deixa de atuar apenas em softwares e passa a ser incorporada diretamente aos ambientes produtivos, robôs, veículos autônomos e sistemas industriais.

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O banco identifica cinco grandes transformações, com: i) fábricas adaptativas guiadas por inteligência artificial; ii) uso de robôs e humanoides como plataforma de trabalho; iii)
cadeias produtivas mais autônomas e menos dependentes do exterior; iv) exportação de ecossistemas industriais completos e v) maior liderança tecnológica em áreas como semicondutores, materiais avançados, aeroespacial e IA industrial.

A previsão é que as vendas de robôs na China saltem de 8 milhões de unidades em 2025 para 76 milhões em 2035, ampliando significativamente a automação da economia.

Um superciclo de investimentos

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Para viabilizar essa transformação, o Morgan Stanley calcula que a China deverá investir cerca de US$ 50 trilhões em ativos industriais entre 2026 e 2035.

Desse total, aproximadamente US$ 12 trilhões representariam investimentos diretamente associados à Indústria 5.0. Os recursos seriam direcionados principalmente para infraestrutura de IA e energia, modernização de fábricas e expansão de capacidade produtiva em setores estratégicos.

O banco projeta que o investimento industrial passará de 17,4% para aproximadamente 19,5% do PIB chinês até 2035.

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Segundo os analistas, a tendência é que os investimentos avancem inicialmente em data centers, redes elétricas, automação industrial, semicondutores, equipamentos de alta precisão e robótica.

Margens e produtividade devem subir

O relatório também prevê melhora da rentabilidade da indústria chinesa. A margem média das empresas industriais poderia subir de aproximadamente 5% para 8% até 2035, impulsionada pela migração para segmentos de maior valor agregado, ganhos de produtividade com IA e expansão internacional das empresas chinesas.

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Além disso, a instituição estima que a transformação industrial poderá elevar o PIB potencial da China em cerca de 3,5% até 2035, ajudando a compensar parte dos impactos do envelhecimento populacional.

O banco também projeta que a participação da China na manufatura global aumente de 28% para cerca de 30% na próxima década.

Ações favoritas para capturar a tendência

O Morgan Stanley selecionou 45 empresas como as mais bem posicionadas para capturar os benefícios da Indústria 5.0.

No setor automotivo, o banco destaca BYD como uma das principais beneficiárias da nova fase industrial, ao lado da desenvolvedora de chips automotivos Horizon Robotics.

Na área de tecnologia e IA, aparecem Alibaba, Tencent, Xiaomi, Cambricon, GigaDevice, MiniMax e Z.AI.

Já entre as empresas industriais e de automação, os favoritos incluem Hengli Hydraulic, Sany Heavy, Leaderdrive, Han’s Laser e Shanghai Bochu Electronic Technology.

No segmento de energia e infraestrutura elétrica, o banco destaca Sungrow, Sieyuan Electric e Anhui Yingliu.

Entre as empresas de materiais estratégicos aparecem Zijin Mining, CMOC, Chalco, Tianqi Lithium, Ganfeng Lithium, JL Mag e China Jushi.

Na saúde, o banco vê oportunidades em Mindray, United Imaging, WuXi AppTec e Angelalign, consideradas beneficiárias da crescente sofisticação tecnológica do setor médico chinês.

Para o Morgan Stanley, o mercado ainda precifica apenas parte desse movimento. Os investidores já incorporam o avanço da automação e da localização tecnológica, mas o banco avalia que os ganhos futuros de produtividade, expansão de margens, liderança industrial e aumento da participação global da manufatura chinesa ainda não estão plenamente refletidos nos preços dos ativos.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.