Impacto nos mercados

Índices futuros dos EUA viram para alta com Biden e Putin aceitando fazer reunião; petróleo zera ganhos

Cúpula pode ser realizada com a condição de que a Rússia não invada a Ucrânia; fim de semana foi de aumento das tensões

Por  Equipe InfoMoney -

Os principais índices futuros do mercado americano, após iniciarem as negociações na noite deste domingo (20) em baixa em meio à tensão entre Ucrânia e Rússia, viraram para ganhos. Às 23h (horário de Brasília), o índice S&P 500 Futuro tinha alta de 0,61%, a 4.370 pontos, o Dow Jones Futuro avançava 0,52%, a 34.185 pontos, enquanto  o Nasdaq Futuro tinha alta  de 0,48%, a 14.058 pontos.

Às 20h20, índice S&P 500 Futuro tinha queda de 0,54%, a 4.320 pontos, o Dow Jones Futuro caía 0,29%, a 33.909 pontos, enquanto  o Nasdaq Futuro tinha baixa mais expressiva, de 0,93%, a 13.866 pontos.

O motivo para tanto foi a notícia de que o presidente da França, Emmanuel Macron, fez uma proposta para a realização de uma cúpula entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo o site oficial francês Élysée, Biden e Putin aceitaram participar da cúpula. O encontro só pode ser realizado com a condição de que a Rússia não invada a Ucrânia.

Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, disse no domingo à noite que a cúpula entre os dois líderes mundiais acontecerá após uma reunião entre o secretário de Estado Antony Blinken e seu colega russo, o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov. Essa reunião está marcada para o final desta semana.

Psaki observou que o acordo está condicionado a Moscou adiar uma invasão. “Como o presidente deixou claro repetidamente, estamos comprometidos em buscar a diplomacia até o momento em que uma invasão começar”, disse em comunicado. “O presidente Biden aceitou, em princípio, uma reunião com o presidente Putin após esse compromisso, novamente, se uma invasão não acontecer. Estamos sempre prontos para a diplomacia.”

As notícias de um possível encontro direto entre Biden e Putin chegam no momento em que a Casa Branca alerta que uma invasão russa da Ucrânia possa ocorrer a qualquer momento. Há semanas, Moscou acumula sua força militar nas fronteiras norte e leste de seu vizinho.

O potencial de conflito iminente forçou Biden no domingo a abandonar os planos de voltar para sua casa em Delaware após uma reunião de duas horas com sua equipe de segurança nacional.

Enquanto isso, os principais contratos de petróleo, que chegaram a subir mais de 1% mais cedo, zeraram a alta. A semana passada terminou sem direção definida para a commodity, mas com o petróleo dos Estados Unidos interrompendo oito semanas de ganhos, já que a perspectiva de aumento das exportações iranianas de petróleo ofuscou os temores de uma possível interrupção no fornecimento resultante da crise Rússia-Ucrânia.

Neste domingo, a tensão geopolítica chegou a fazer com o contrato do WTI com vencimento em março registrasse alta de 1,84%, a US$ 92,75 o barril, enquanto o brent para abril subia 1,27%, a US$ 94,73 o barril. Já às 23h, o WTI caía 0,13%, a US$ 90,95, enquanto o brent tinha baixa de 0,26%, a US$ 93,30 o barril.

Final de semana tenso 

O final de semana foi de aumento das tensões sobre a Ucrânia e a Rússia, uma vez que havia indicações de que Vladimir Putin ordenaria a invasão do país vizinho antes do fim dos Jogos Olímpicos de Inverno, que foram encerrados neste domingo.

Além disso, a Rússia e a Belarus ampliaram os exercícios militares que deveriam terminar neste domingo, disse o ministro da Defesa da Belarus. A medida intensificou ainda mais a pressão sobre a Ucrânia, enquanto líderes ocidentais alertaram para um iminente ataque russo.

A decisão de estender os exercícios foi tomada devido à atividade militar perto das fronteiras da Rússia e da Belarus e uma escalada da situação na região de Donbass, no leste da Ucrânia, disse o Ministério da Defesa da Belarus em comunicado.

A Otan afirma que a Rússia tem até 30.000 soldados na Belarus e pode usá-los como parte de uma força de invasão para atacar a Ucrânia, que fica ao sul do país. Moscou nega tal intenção. O Kremlin não comentou os exercícios na Belarus.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as repetidas advertências do Ocidente de que a Rússia está prestes a invadir a Ucrânia são provocativas e podem ter consequências adversas, sem fornecer detalhes.

Já Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, disse em entrevista à BBC que evidências sugerem que a Rússia está planejando “a maior guerra na Europa desde 1945”.

Tensões se elevam

O foco das tensões nos últimos dias tem sido a faixa do leste da Ucrânia tomada por rebeldes apoiados pelos russos em 2014, mesmo ano em que a Rússia anexou a Crimeia da Ucrânia. Mais de 14.000 pessoas foram mortas no conflito no leste.

Incidentes de bombardeios na linha que divide as forças do governo e os separatistas, esporádicos no passado, aumentaram acentuadamente na semana passada. No domingo, um repórter da Reuters ouviu explosões no centro da cidade de Donetsk, na região leste de Donbass, controlada por separatistas. Bombardeio pesado foi ouvido em outras áreas da região.

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, os Estados Unidos disseram a aliados que qualquer invasão russa na Ucrânia poderia ter como alvo várias cidades além da capital Kiev. As cidades que também podem ser atacadas incluem Kharkiv no nordeste e Odessa e Kherson no sul, disseram as pessoas, todas autoridades ocidentais que pediram para não serem identificadas falando sobre assuntos tão sensíveis. Eles não forneceram detalhes sobre a inteligência que, segundo eles, sublinhou esses cálculos.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, pediu neste domingo um cessar-fogo imediato na parte leste do país. Ele acrescentou que a Ucrânia apoia as negociações de paz dentro do Grupo de Contato Trilateral (TCG, em inglês), das quais o país participa, junto com a Rússia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Em meio a esse cenário de maior tensão, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que Joe Biden, presidente dos EUA, está pronto para se encontrar com Putin “a qualquer hora e em qualquer formato” e ressaltou que “a diplomacia é possível desde que os tanques não estejam realmente em movimento”.

David Martin, correspondente de segurança nacional da CBS News, disse que o serviço de inteligência dos EUA tem informações de que comandantes russos receberam ordens para prosseguir com uma invasão da Ucrânia.

“Não apenas [os militares russos] estão se movendo para cada vez mais perto da fronteira [com a Ucrânia], em posições de ataque, como os comandantes em terra fazendo planos específicos de como eles manobrariam em seus setores do campo de batalha”, afirmou Martin, no programa “Face the Nation”.

Já a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, afirmou que os americanos compartilham informações de inteligência sobre o conflito entre os dois países com seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para decisões sobre sanções financeiras contra o governo de Vladimir Putin.

Na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Harris informou que os anúncios de sanções contra os russos caso haja uma invasão na Ucrânia foram decididos em conjunto. “Acreditamos que Putin fez sua decisão. Ponto final. Mas também digo que, como parte de nossa parceria no contexto da aliança, nós compartilhamos informação, claro, porque queremos ter certeza que todos estamos trabalhando com as mesmas informações para decisões críticas, como as sanções”, declarou.

De acordo com a vice de Biden, “a Europa está à beira de uma possível guerra”. “Cada nação tem suas prioridades e preocupações individuais sobre sua economia, segurança. Isso é sobre dissuadir a Rússia de invadir uma nação soberana. Todos nós sabemos como se parece uma guerra na Europa e o que significaria para cada um desses países”, acrescentou.

Contudo, o governo de Biden se recusou, neste domingo, a aplicar sanções à Rússia antes de uma invasão russa na Ucrânia, apesar das crescentes críticas de Kiev e de rivais domésticos.

Em meio ao aumento das tensões, a expectativa é para os próximos desdobramentos. O presidente da França, Emmanuel Macron, conversou por telefone neste domingo (20) com seus homólogos da Rússia, Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na tentativa de aliviar a tensão entre os países.

Macron e Putin concordaram sobre a necessidade de encontrar uma solução diplomática para a crise e de um cessar-fogo no leste da Ucrânia, onde cerca de 40 mil pessoas fugiram de Donbass para a região russa de Rostov.

De acordo com o Palácio do Eliseu, Putin aceitou realizar uma conversa trilateral entre Rússia, Ucrânia e membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Conforme informou a agência de notícias Reuters, o encontro em questão está previsto para acontecer nesta segunda-feira (21). Além disso, como destacado acima, também é esperada a reunião entre Putin e Biden.

(com Reuters e Ansa Brasil)

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