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SÃO PAULO – Um país responsável por menos de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) ganha as manchetes desta segunda-feira (18). No sábado os ministros de finanças da zona do euro concordaram em um programa de ajuda de € 10 bilhões ao Chipre, onde os bancos serão resgatados com boa parte dos custos sendo arcados pelos correntistas.
Isso faz com que o índice VIX, conhecido no mercado como o índice do medo, disparasse 20% nesta manhã. As bolsas na Ásia fecharam o pregão em forta queda – o índice Nikkei 225, do Japão, caiu 2,7% -, assim como os índices acionários nas bolsas europeias mostram perdas significativas, com destaque para os índices Ibex 35 (-2,12%) e FTSE MIB (-1,12%), na Espanha e na Itália, respectivamente.
O ouro, que é conhecido por atrair investidores que buscam por segurança, chegou a subir mais de 1%. Por aqui, o dólar avançou 0,25% e chegou muito próximo dos R$ 2,00, o que não acontece desde janeiro, quando esteve cotado a R$ 1,987. O humor do mercado amenizou depois que reportagens dão conta de que o governo do Chipre votará na terça-feira uma medida com perdas menores aos pequenos correntistas. O dólar comercial, por exemplo, amenizou a alta para 0,10%, a R$ 1,982 na compra.
Mas por que o Chipre, com um PIB muito pouco significativo para a economia mundial, causou esse medo nos mercados?
Em nota, a Moody’s explica que o resgate ao país assusta os credores em outras regiões. Ainda que o risco de contágio da economia do Chipre ao restante da região seja limitado, “a decisão de impor perdas aos credores sinaliza a disposição dos formuladores de políticas da zona do euro a arriscarem grandes distorções no mercado financeiro em busca de outros objetivos”, alerta a agência de classificação de risco. A agência diz que essa medida deverá ter implicações negativas sobre os ratings de outros bancos europeus.
Durante o fim de semana os ministros de finanças da zona do euro concordaram em impor uma taxa de 6,75% às contas correntes com menos de € 100 mil, e de 9,9% para os correntistas em valores acima disso. A medida visa levantar quase € 6 bilhões, mas a Moody’s considera isso como uma espécie de calote.
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O Parlamento do Chipre ainda precisa aprovar a medida. A expectativa era que a votação acontecesse nesta segunda-feira, quando foi decretado feriado bancário, mas a votação foi adiada para terça-feira, quando os novos rumores são de que o governo votará uma taxa menor aos correntistas com valores menores.
No ano passado, parte do mercado já começava a mostrar certa preocupação com as negociações envolvendo Chipre e FMI (Fundo Monetário Internacional). Alguns chegavam a dizer que o maior risco para a zona do euro era o próprio Chipre, e não a Grécia.
Críticas de O’Neill e El-Erian
Jim O’Neill, presidente do Goldman Sachs Asset Management e criador do termo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), disse em entrevista à CNBC que o resgate é “surpreendente”, mesmo considerando a atual crise de dívida na zona do euro.
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“Acho que minha principal preocupação não é se isso será feito, nem é a ideia de que o Chipre aceitará algo como isso, mas que a União Europeia apoiaria e seguiria adiante com isso”, disse ao site norte-americano.
Ao mesmo portal, Mohamed El-Erian, CEO da Pimco, a maior gestora de ativos de renda fixa, diz que a Europa acendeu o fusil para duas bananas de dinamite no sábado. “Ao incluir pequenos correntistas, eles estão arriscando a estabilidade social, a desordem política e uma saída da zona do euro”, afirma, ao dizer que essa era a primeira dinamite.
A segunda, menos visível, é atacar a santidade dos depósitos bancários na Europa, o que nos lembra que a região tem muitos objetivos e muitos poucos instrumentos, complementa.