Publicidade
SÃO PAULO – Conhecido por mensurar as variações no custo do frete marítimo, o Baltic Dry Index subiu quase 15% na última quarta-feira (4), a maior alta dos últimos 25 anos. Para alguns analistas, uma escalada dessa intensidade em um intervalo de tempo tão curto pode estar ligada a um fator: o aumento da demanda internacional por transporte.
A retomada dos serviços de frete pode ser um indicativo de que a atividade comercial está caminhando para uma normalização entre os países, o que, de acordo com relatório divulgado pelo economista Paul Donovan, do UBS, sugere recuperação da economia internacional. O fluxo de commodities é o principal responsável pelo índice, e de fato há evidências que o setor pode estar se recuperando.
Em entrevista dada a alguns jornalistas na quarta-feira, o CEO (Chief Executive Officer) da BHP Billiton, Marius Kloppers, afirmou que os estoques de minério de ferro voltaram a cair na China, o que pode ser reflexo de uma “demanda mais firme” no país. De acordo com o entrevistado, “as pessoas estão voltando ao mercado e retomando suas compras”.
Índice dispara
Com o resultado observado na véspera, o Baltic Dry Index atingiu 1.316 pontos ao disparar 14,6% e atingir o patamar mais alto em quase quatro meses. O índice ainda está bastante longe dos 11.793 pontos observados no topo do ano passado, mas já avançou 98,5% dos 663 pontos vistos em dezembro, o valor mais baixo observado em 2008.
Em entrevista dada ao jornal britânico Financial Times, Steve Rodley, da Global Maritime Investments, avaliou que ainda é cedo para classificar o atual cenário como de recuperação. “Nós estamos mais longe do chão, mas não acho que nós iremos voar até a estratosfera em tão pouco tempo”.
Representantes de companhias de logística marítima afirmaram que os navios responsáveis pelo transporte de minério de ferro, chamados de Capesizes, estão voltando lentamente a serem demandados, após siderúrgicas chinesas retomarem compras da Austrália e do Brasil com a queda nos estoques.