Índice de commodities do BMO cai 16,7%, maior declinio mensal desde 1965

Todos os grupos que compõem o benchmark mostraram queda, com destaque para Petróleo e Gás, que caiu 22% em outubro

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SÃO PAULO – Com toda preocupação em relação aos impactos da crise financeira no crescimento da economia mundial, outubro foi um mês conturbado. Para as commodities, o período foi particularmente difícil, como mostra o desempenho do índice BMO Capital Markets Commodity Price Index, que caiu 16,7% no mês, para 174,2 pontos.

“Enquanto o enfraquecimento do crescimento econômico global anteriormente iniciou a tendência de declínio dos preços das commodities, a forte turbulência no mercado financeiro aumentou as perdas”, explica o BMO, em relatório. A instituição alerta que esse foi o maior declínio registrado em um único mês na história do índice, que remonta a janeiro de 1965.

Se o desempenho geral não anima, as performances dos grupos específicos também não. Conforme dados do BMO, todas as classes de commodities sofreram perdas significativas. O índice de Petróleo e Gás lidera a lista, com queda de 22%, seguido por Metais e Minerais e Agricultura, que caíram respectivamente 13,2% e 13,1% e, por fim, Produtos Florestais, que recuou 5,9%.

Foco nos grupos

Petróleo e Gás – De acordo com os analistas, a forte queda desse índice se deve ao fato de que sinais de enfraquecimento da economia levaram à redução das expectativas de consumo, enquanto os agentes de mercado se mostram céticos frente às declarações da Opep (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo) de que irá reduzir a produção de petróleo em 1,5 milhão de barris por dia.

Metais e Minerais
– Nesse índice, a queda se deve principalmente aos metais de base, que sofrem com as perspectivas de menor demanda e queda na produção industrial de diversos países. Em sentido contrário, o BMO ressalta que o ouro foi o único metal a ter performance positiva (embora modesta) no mês.

Agricultura – “Melhores perspectivas de produção global e incertezas financeiras e econômicas pesaram contra grãos e sementes oleaginosas”, explicam os analistas, ressaltando que o índice está no nível mais baixo desde seu pico, em fevereiro deste ano.

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Produtos Florestais – Apesar de contar com o menor declínio do mês dentre os demais índices, esse segmento também é pressionado pela crise financeira. Conforme demonstrado pela instituição, as condições de demanda por madeira e celulose, já difíceis, foram pioradas pelos problemas no mercado de crédito. Em contrapartida, o preço do papel para impressão se apoiou em reduções de estoque e demanda sólida na exportação.

Pressão continuará em 2009

“Crescimento econômico fraco e incerto irá refrear a demanda e pressionar os preços até 2009”, prevêem os analistas do BMO. Para eles, a extensão do declínio depende da profundidade e duração da recessão norte-americana e de como as demais regiões do mundo serão afetadas.

Contudo, a instituição lembra que os produtores estão começando a responder à desaceleração da demanda com atraso em projetos e cortes nas produções, o que deve proporcionar um maior suporte aos preços.