Com B3 fechada, GPA dispara quase 8% nos EUA em dia de bom humor nos mercados após Fed

Com Bolsa fechada neste feriado de Finados, índice que reúne principais empresas brasileiras acompanha alta em Wall Street

Paulo Barros Bruna Furlani

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Os recibos de ações do GPA, grupo varejista dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, encerraram o pregão desta quinta-feira (2) em forte alta de mais de 7,67% na Bolsa americana, aos US$ 0,72. No after hours, os papéis continuaram a avançar.

Sem a divulgação de nenhum fato relevante, a subida parece ser fruto do resultado apresentado no balanço da última segunda-feira (30). A companhia reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 1,285 bilhão no 3º trimestre, mas o Ebitda ajustado registrou crescimento da ordem de 478%, para R$ 1,137 bilhão – a quinta alta trimestral consecutiva.

No entanto, um dos grandes destaques, na visão de analistas, foi o avanço da receita bruta, com crescimento de 10% na comparação anual. A alta do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) também foi considerada como um ponto positivo e representou uma subida de 32% em relação ao ano anterior, ainda que tenha ficado -3% abaixo das estimativas de consenso.

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A companhia também tem focado em reduzir seu endividamento. Para isso, o GPA desacelerou os investimentos e tem apostado no segmento de proximidade, com a abertura de minimercados, conforme informou o CEO da companhia, Marcelo Pimentel, ao InfoMoney.

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Apesar do feriado de Finados, os recibos de companhias brasileiras operaram normalmente no mercado americano – e poderão servir de termômetro para a reação do mercado na próxima sexta-feira (3), quando agentes financeiros locais voltarem a operar após o Banco Central ter cortado a taxa Selic mais uma vez em 0,5 ponto percentual na quarta-feira (1º).

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O índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne as principais empresas brasileiras listadas na B3 com recibos de ações negociados nos Estados Unidos, também encerrou a sessão com ganhos de 2,28% no mesmo horário. Já o EWZ, ETF que replica o índice MSCI Brazil, avançou 2,87%.

As ADRs do Bradesco, com ganho de 3,52%, Itaú Unibanco, com alta de 3,40%, e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com avanço de 3,36%, também eram destaques no pregão.

Confira como fecharam os principais ADRs de empresas brasileiras nesta quinta-feira (2), dia de Bolsa fechada no Brasil:

Empresa ADR Preço (em US$) Variação (%)
GPA CBD 0,72 6,67
Bradesco BBD 2,94 3,66
Itaú Unibanco ITUB 5,62 3,50
CSN SID 2,46 3,36
Gerdau GGB 4,59 3,15
Banco Santander BSBR 5,59 2,95
Grupo Ultra UGP 4,3 2,87
Azul AZUL 7,99 2,57

Eletrobras

EBR.B 8,35 2,45
Petrobras PBR 15,68 2,28

Petrobras

PBR.A 14,46 2,19
Vale VALE 14,49 2,11
Cemig CIG 2,48 2,06
Embraer ERJ 14,59 1,89
TIM Brasil TIMB 16,24 1,75
Eletrobras EBR 7,34 1,52
Sabesp SBS 12,14 1,51

Eletrobras

EBR.B 8,35 2,45
Ambev ABEV 2,61 1,16
Telefônica Brasil VIV 9,57 0,31

BRF

BRFS 2,19 0,23
Telefônica Brasil
Gol GOL 3,39 -1,17

O movimento das empresas brasileiras lá fora acompanhou o avanço dos índices acionários de Wall Street. O Dow Jones encerrou o dia com ganhos de 1,70%, enquanto o S&P500 avançou 1,89% e o Nasdaq saltou 1,78%.

Na Europa, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu nesta quinta-feira manter sua taxa básica de juros pela segunda vez consecutiva, em 5,25%. A decisão do BoE veio em linha com a expectativa de analistas.

Enquanto esperam pelo principal relatório de emprego monitorado pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), que é o payroll, previsto para sexta-feira (3), agentes financeiros repercutem o número um pouco acima do esperado de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que tiveram alta de 5 mil na semana encerrada em 28 de outubro, a 217 mil.

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Já o dólar perdia força frente a outras moedas fortes, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), recuavam diante do bom humor pela expectativa de que a barra para elevar os juros nos Estados Unidos possa ter ficado mais alta.

Ontem (1), o Federal Reserve decidiu manter os juros na faixa dos 5,25% a 5,50%, decisão que era esperada pela maioria dos analistas.

Reação ao Fed

O presidente do Fed, Jerome Powell, não se comprometeu a bater o martelo sobre o pico de alta dos juros, mas adotou um tom considerado dovish (menos inclinado ao aperto monetário) pelos analistas.

“Embora aparentemente Powell estivesse tentando parecer agressivo, os mercados não estavam acreditando, especialmente porque os dados econômicos [de quarta-feira] mostraram que a economia dos EUA parecia estar desacelerando”, disse Michael Hewson, analista-chefe de mercado da CMC Mercados.

As declarações de Powell foram vistas em sintonia com a leitura de que o avanço dos yields (rendimentos) dos títulos americanos também poderia estar atuando no controle da inflação no EUA, dispensando novas elevações de juros.

Outro detalhe também pode ser favorável agora: o volume de emissões de Treasuries ficou um pouco abaixo das estimativas de US$ 112 bilhões em setembro, com menos emissões de papéis com vencimento em 10 e 30 anos em relação ao mês de agosto. A notícia pode ser positiva, já que a demanda pelos títulos por parte de bancos centrais têm diminuído nos últimos meses.

A postura mais dovish do Fed teve efeitos sobre a curva americana, o que também pode afetar o Brasil, já que a taxa nos Estados Unidos baliza os investimentos ao redor do mundo .

“Vimos um fechamento importante do juro americano de 10 anos nesta quarta-feira. Se somarmos este comunicado do Copom com o cenário internacional, que se apresentou de modo mais benigno, há espaço para a curva brasileira fechar”, comentou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

A especialista, no entanto, pondera que o mercado seguirá de olho em novos indicadores de atividade dos Estados Unidos para monitorar se a economia está de fato desacelerando e a inflação recuando. “Como o BC deu um peso grande para o cenário internacional no comunicado, então o mercado também estará atento ao payroll”, completou.

Paulo Barros

Editor de Investimentos