Indicadores voltam a pautar mercado e bolsas sinalizam rodada de perdas

Dados de inflação e emprego decepcionam na Europa, enquanto investidores aguardam números da indústria nos EUA

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SÃO PAULO – Após semanas consecutivas de expectativa sobre mudanças estruturais na luta contra a crise na Europa, a semana que se inicia é marcada pelo retorno do foco do mercado à divulgação dos indicadores econômicos que regularmente balizam o humor dos investidores ao longo do dia.

Nesta segunda-feira (31) investidores já são influenciados pela divulgação dos dados de inflação na Zona do Euro, que segue no patamar mais alto em três anos. Segundo dados da Eurostat, o índice de preços ao consumidor em outubro avançou 3,0% em termos anualizados, mesmo valor observado em setembro, acima dos 2,0% da meta do BCE (Banco Central Europeu).

Para piorar, a taxa de desemprego na União Europeia segue alta conforme também revelou a Eurostat nesta manhã, tendo subido de 10,1% para 10,2%.

Com isso, é reforçado o cenário negativo de estagflação, no qual a região sofre com o aumento de preços e o baixo crescimento econômico, sendo um típico cenário de recessão.

Como resposta, os principais índices de ações da Europa, já em pregão regular, recuam cerca 1,3% até o momento, chegando a até -2,5% no FTSE MIB, da bolsa de Milão. Enquanto isso, nos EUA, ainda em pré-market, os principais índices futuros sinalizam abertura com queda de 0,8%.

EUA foca indústria
Em Wall Street, a agenda é composta pela divulgação do Chigaco PMI, às 11h45 de Brasília, “o que deve dar uma pista sobre o ISM Index de terça-feira. Nós esperamos uma queda modesta para 60,0 pontos em outubro, frente os 60,4 pontos de setembro”, prevê Sverre Holbek, analista do Danske Bank.

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Holbek acredita na confirmação da desaceleração da atividade industrial tanto na tradicional região de Chicago, quanto em todo o país, reforçando o risco de recessão no horizonte próximo.

Já a agenda de resultados norte-americana não conta com empresas de peso, o que deve reforçar a importância do principal indicador do dia.

Japão intervém no câmbio
Para completar, a Ásia volta ao centro da pauta após ter ficado em segundo plano nas últimas semanas. O BoJ (Bank of Japan) voltou a intervir no mercado cambial nesta segunda-feira para enfraquecer o iene, em meio a crescentes preocupações de que a moeda forte estimule ainda mais a produção no exterior.

O ministro de Finanças do país, Jun Azumi, confirmou ter organizado uma intervenção para impulsionar a desvalorização do iene depois que a divisa marcou a máxima diária de 75,35 ienes por dólar – menor cotação da moeda norte-americana ante a japonesa no período pós-guerra. 

BM&FBovespa
Por fim, no Brasil, a agenda de resultados trimestrais tem uma trégua nesta segunda-feira, com destaque apenas para os números da Klabin (KLBN4). Além disso, como já é de praxe às segundas-feiras as atenções também voltam-se para a divulgação do relatório Focus do Banco Central.

Nesta edição, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) foi mantido nos mesmos patamares do último boletim, de 0,45%. A taxa de câmbio também foi conservada em R$ 1,75. Mesmo sentido foi dado ao IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que teve sua projeção mantida em 0,42%. Por sua vez, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apontou queda neste último relatório, de 0,48% para 0,47%.

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Perspectiva do grafista
Sob o ponto de vista da análise gráfica, o pregão por aqui deve contemplar o seguinte cenário segundo o analista Wagner Caetano: o Ibovespa segue firme em recuperação de curto prazo, com projeções de mais valorização a semana. Dessa forma, o primeiro objetivo é região dos 60.700 pontos e, posteriormente, os 63.900 pontos.

Já os suportes apontados aparecem na região dos 58.600 pontos, já testado na sexta-feira, e também os 57.650 pontos, aponta Caetano.