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O governo tem dado mais atenção ao que se pode chamar de seu “público interno”, os partidos e os políticos da base de sustentação do Palácio do Planalto, do que propriamente ao público externo – a sociedade. Toda a aposta feita na nova articulação política, com a indicação do vice-presidente Michel Temer para a função de ministro de fato nesta área, visa exatamente alcançar a paz congressual.
Não resta dúvida de que conseguir garantir um certo grau de governabilidade no Legislativo é essencial para a presidente, pois o risco que ela corre é de ter suas propostas bloqueadas e não conseguir levar adiante o plano de ajustar as contas públicas.
Mas isto não é tudo. Ou é muito pouco – é apenas o necessário, não o suficiente. Os motivos que levaram à queda da avaliação do governo e da presidente são muito mais reais do suas virtuais desavenças, com o PMDB, com Renan Calheiros, com Eduardo Cunha, com toda sorte de gente da base aliada e até com o PT. Está provado que bem fornidos eles se acalmam.
A queixa da sociedade é outra, e está ligada, do ponto de vista prático aos problemas da economia. E do ponto de vista emocional à decepção com a enorme distância entre o discurso de promessas da presidente durante a campanha, ao tom otimista em exagero de sua pregação eleitoral e contraste o mundo verdadeiro aqui fora.
O governo vive, muito mais que tudo, uma crise de confiança, de credibilidade. E a presidente Dilma parece não aceitar esse diagnóstico. Se retrai, se esconde, não admite erros e equívocos, como se os cidadãos estivessem sendo injustos com ela. Só se apresenta em lugares seguros, resguardados. Será difícil para a Dilma sair dessa “fossa” comportando-se desta maneira. Algum “mea culpa” ela terá de fazer, pois a economia deverá demorar ainda a se recuperar.
E é preciso que haja governo total, e não “ilhas” de governo e em outros poucas áreas. A sensação é de vazio, de um salva-se quem puder, cada um agindo em uma direção. E isto abala o “crédito” do governo mais que as briguinhas da política dos políticos.
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A Fundação Getúlio Vargas acaba de divulgar o dado mais recente do indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE),elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo. O ICE recuou 5,3% entre janeiro e abril de 2015, ao passar de 75 pontos para 71 pontos. A queda foi liderada pelo Indicador de Expectativas (IE), que caiu 11%, enquanto o da Situação Atual (ISA) avançou 3,4%. Todos os indicadores encontram-se na zona desfavorável de clima econômico e a piora no IE preocupa, ao indicar uma possível piora no cenário para os próximos seis meses.
Para o Brasil especificamente, todos os indicadores registram queda entre as duas últimas sondagens: ICE (-14%); ISA(-27%); e IE (-9,5%). Na comparação interanual, o recuo do ISA é de 68% e do ICE de 31%, mas o IE registra uma pequena alta de 2,7%. No entanto, como as expectativas continuam desfavoráveis e apontando para uma piora da situação daqui a seis meses, a pequena melhora em relação a abril passado tem um peso pequeno na avaliação da projeção do crescimento econômico.