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WASHINGTON, 10 Jul (Reuters) – Em um momento de polarização política e com a Casa Branca se distanciando da “globalização”, a escolha feita pelo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de incluir banqueiros centrais estrangeiros e também nomeados da era Obama em suas forças-tarefa para a reforma do Fed recebeu críticas positivas por se basear fortemente na expertise, mesmo enquanto outras agências independentes dos EUA estão sendo privadas disso.

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Armínio Fraga é escolhido por Kevin Warsh para grupo de revisão do Fed
Presidente do Fed criou cinco forças-tarefa para reavaliar comunicação, dados, balanço, emprego e inflação
Em decisões recentes da Suprema Corte dos EUA, o Fed ficou protegido do movimento recente de concessão de autoridade ao presidente Donald Trump para demitir membros de agências independentes que, por quase um século, estiveram protegidos contra demissões por divergências políticas ou de outra natureza. Isso livrou Warsh da pressão cotidiana da ameaça de demissão à qual ele poderia estar sujeito caso irritasse Trump ou sua base eleitoral.
Em uma semana em que Trump demitiu membros da Comissão de Assistência Eleitoral, órgão independente, e manteve conversas acaloradas com outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Warsh anunciou a convocação de 15 especialistas externos ao Fed — cinco deles nascidos no exterior, incluindo os ex-presidentes dos bancos centrais do Brasil (Armínio Fraga), da Inglaterra e da Índia, e dois deles ex-nomeados para cargos de alto nível pelo presidente Barack Obama — para liderar seu principal esforço de reforma.
Embora o grupo também tenha incluído Marc Andreessen, um dos principais arrecadadores de fundos de Trump e investidor em tecnologia, ele foi considerado, em geral, um grupo de primeira linha e independente, provavelmente refletindo as próprias inclinações de Warsh e, mais importante, mais evolutivo do que revolucionário — um contraste com as promessas de “mudança de regime” feitas por Warsh antes de assumir o cargo.
“Estamos falando de pessoas sérias e respeitadas que provavelmente reforçarão a credibilidade do presidente perante seus próprios colegas”, disse Neil Dutta, chefe de economia da Renaissance Macro Research, mesmo que alguns pareçam “ideologicamente predispostos” a se alinhar ao ceticismo de Warsh com questões como um balanço patrimonial robusto do Fed ou orientações futuras sobre taxas de juros.
Nem todos pensam da mesma forma — o ex-diretor do Fed Jeremy Stein, nomeado por Obama em 2012 e agora convidado para a força-tarefa do balanço patrimonial, argumentou que grandes participações do Fed podem melhorar a estabilidade financeira — e alguns dos painéis estão menos focados em debates sobre políticas e mais em temas abertos, como a forma de melhorar os dados nos quais o Fed se baseia para definir a política monetária.
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Membros das forças-tarefa contatados pela Reuters afirmaram que ainda é muito cedo para comentar sobre como irão proceder. O anúncio do Fed não incluiu detalhes sobre o processo.
‘GRUPO SÉRIO E AMPLAMENTE EQUILIBRADO’
Mudanças importantes anteriores na estratégia do Fed foram supervisionadas por comitês internos, como alterações de políticas de comunicação e a introdução de metas formais de inflação em 2012.
Em 2019 e 2020, uma revisão mais ampla do arcabouço de políticas do Fed incluiu extensas audiências públicas em todo o país para coletar opiniões sobre a economia, além de trabalhos acadêmicos encomendados e apresentados em uma conferência em Chicago. Uma revisão de 2025 baseou-se fortemente em pesquisas internas e análises acadêmicas externas, incluindo a do ex-presidente do Fed Ben Bernanke.
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A revisão de Warsh parece ser de outro tipo. Assim como Warsh foi encarregado pelo Banco da Inglaterra em 2013 de revisar suas políticas de comunicação e de divulgação pública, e Bernanke, uma década depois, de prestar consultoria sobre as previsões do BoE, a iniciativa do novo presidente do Fed se voltou para fora da instituição em um processo que, segundo o Fed, “funcionará de forma independente, com o mandato de seguir as evidências”.
Ainda não está claro como os sete diretores do Fed e os 12 presidentes dos Feds regionais participarão desse processo, cuja conclusão está prevista para o final do ano.
Já existem opiniões fortes entre os formuladores de política monetária sobre questões como o quanto o Fed poderia reduzir seu balanço patrimonial, ou até que ponto poderia recuar na divulgação de informações sem causar instabilidade nos mercados ou prejudicar sua própria legitimidade — uma questão delicada para autoridades não eleitas cujas decisões sobre juros afetam diretamente a situação econômica das famílias.
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Mudanças sugeridas nas práticas de comunicação ainda no ano passado, por exemplo, fracassaram com um impasse interno.
Krishna Guha, ex-funcionário do Fed de Nova York e atual vice-presidente da Evercore ISI, descreveu os membros nomeados para a força-tarefa como “um grupo sério e amplamente equilibrado que será levado a sério pelo mercado, pela equipe do Fed e pelos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC)”.
“Consideramos isso um bom primeiro passo na reforma institucional e de políticas e uma vitória para o presidente Warsh”, disse Guha, ao mesmo tempo em que observou que os pares de Warsh terão voz em qualquer reforma de grande impacto, o que normalmente só é possível no Fed com consentimento quase unânime.
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“Mesmo com um grupo impressionante liderando as forças-tarefas independentes, o atual FOMC, que inclui figuras com profundo conhecimento em áreas como balanço patrimonial e comunicação de políticas, não vai simplesmente ceder e adotar tudo o que os especialistas externos propuserem”, escreveu ele após o anúncio da força-tarefa.