Incerto com retomada, setor siderúrgico teme câmbio e otimismo precipitado

"Não paramos nenhum alto forno e agora estamos reticentes", diz CSN; para Gerdau, foco do setor é geração de caixa

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SÃO PAULO – O 2° Encontro Nacional da Siderurgia trouxe à tona um setor consciente de diferenciais importantes para enfrentar a manutenção de um período fraco para a indústria, mas atento a evitar um clima de euforia diante de sinais de recuperação da demanda por aço no Brasil nos últimos meses.

Encerrado na tarde desta terça-feira (25), o evento, elaborado pelo Instituto Aço Brasil (ex-Instituto Brasileiro de Siderurgia), contou com a presença de representantes das principais empresas do segmento. Entre uns discursos mais otimistas do que outros, alguns gargalos foram repetidos durante todo o dia.

A tendência de valorização do real e, consequentemente, a perda de competitividade dos produtos brasileiros lá fora, a estrutura tributária e ainda o patamar do juro básico receberam críticas. “O mundo vai pôr dinheiro no Brasil. Para nós que precisamos gerar empregos e exportar, são necessários ajustes”, resumiu Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da siderúrgica Gerdau.

Incerteza

A siderurgia carrega o fardo de ter sido um dos segmentos da economia mais afetados pela contaminação do Brasil à crise. Mas também foi um dos que teve reação imediata à queda da demanda, paralisando as operações de algumas usinas.

Os indicadores recentes têm criado expectativas positivas e agora há o temor sobre uma reativação brutal na produção. Sem totais convicções sobre a demanda. “Nós não paramos nenhum alto forno antes e agora estamos reticentes”, admitiu Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Para ele, preocupado com um excesso de oferta, é preciso evitar a “artificialidade” na discussão da estratégia das empresas. Pediu humildade nas previsões e criticou a intenção do Governo de diminuir os incentivos fiscais para compra de veículos e de produtos da linha branca. “Há precipitação nas análises, estamos vulneráveis com o real valorizado”.

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Apesar de se incluir fora dos adeptos da frase “o pior já passou”, Steinbruch destacou não estar pessimista. “A demanda está forte, setembro será melhor que o mês de agosto”. Em suma, o desafio é aproveitar o momento de menos euforia para entender os gargalos do setor e estruturar soluções.

Competitividade

Nessa empreitada do aço, a palestra de André Johannpeter, diretor-presidente do Grupo Gerdau, tentou traçar o novo cenário da siderurgia mundial. O foco agora é geração de caixa, ao invés do crescimento dos últimos anos. Isso com situação financeira sobre controle. “E será preciso agilidade para o momento da retomada”, analisa.

O conselheiro da ArcelorMittal Brasil José Armando de Figueiredo Campos espera sentir os impactos da crise por mais alguns anos. Mas falou em tom de urgência sobre entraves das siderúrgicas. É preciso “trabalhar nos aspectos institucionais, processos de potencializar os ganhos, eliminando a burocracia. Fortalecer a competitividade da cadeia. Melhorar a diplomacia comercial”, declarou.

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Sob os anseios de mudanças no arcabouço tributário, Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), deu sua contribuição: “Essa discussão depende da capacidade do Brasil de rever o modelo de gestão do recurso público”.