Publicidade
SÃO PAULO – Nos últimos meses, muito tem se falado sobre o forte desempenho da balança comercial brasileira. De fato, o saldo da balança comercial brasileira tem apresentado
um forte crescimento, porém, duas questões vêm sendo alvo de discussões no que se refere ao desempenho do comércio exterior brasileiro.
Participação do Comércio Exterior é pequena no país
A participação do comércio exterior no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil ainda é pequena. Para se ter uma idéia, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2002 o total das exportações mundiais
atingiu US$ 6,289 trilhões, enquanto que o Produto Bruto mundial totalizou US$ 32,059 trilhões, ou seja, as exportações mundiais totalizaram 19,62% do produto bruto mundial.
No Brasil, em 2002, o PIB foi de US$ 459,4 bilhões, enquanto que as exportações atingiram US$ 60,4 bilhões, o que representou 13,1% do PIB. Em 2003, essa relação evoluiu para 14,8%, uma das maiores da história do país, mas ainda foi menor do que a participação das exportações mundiais sobre o produto bruto mundial.
Fatores artificiais impulsionaram desempenho
Outro ponto que vem sendo bastante discutido, referente ao melhor desempenho da balança comercial brasileira nos últimos meses, é a questão da sustentação desse desempenho, que em grande medida apresentou melhora em função dos incentivos gerados pela desvalorização do real frente ao dólar nos últimos 24 meses, e pelo fraco desempenho do mercado doméstico em 2003, além do altos preços das commodities agrícolas, ou seja, foi impulsionado por
fatores artificiais.
Dessa maneira, discute-se atualmente como elevar a participação do comércio exterior no PIB brasileiro e de maneira sustentada, que não seja baseada em fatores artificiais, tais como incentivos baseados em política industrial para setores que possuam competitividade, e auxílio às micro, pequenas e médias empresas (MPME´s).
Crédito e carga tributária são desafios
Políticas que possuam êxito em elevar a quantidade exportada de produtos que possuam um maior valor agregado poderiam representar um forte aumento nas exportações brasileiras, pois a maior parte dos produtos exportados brasileiros são de baixo valor agregado.
Continua depois da publicidade
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), realiza fóruns de competitividade para avaliar quais condições dificultam a competitividade de diversos setores da indústria brasileira. Um dos estudos feitos para avaliar o setor aeroespacial, por exemplo, aponta como principais gargalos para o setor a elevada carga tributária em relação a outros países produtores além de garantias bancárias e de financiamento.
União de MPME´s pode fazer diferença
No que se refere à questão do auxílio às micro, pequenas e médias empresas, uma idéia bastante interessante vem ganhando força no âmbito governamental. São os incentivos aos arranjos produtivos locais, formados por empresas de micro, pequeno ou médio porte que atuam em um mesmo setor.
Os incentivos buscam melhorar a estrutura organizacional e produtiva dessas empresas, chegando em alguns casos unir as empresas do arranjo em consórcios de
exportação.
Continua depois da publicidade
Melhor desempenho teria efeitos em toda a economia
Percebe-se dessa maneira que muita coisa pode ser feita em termos de política indústrial e de apoio às MPME´s no sentido de conferir sustentabilidade à melhora no desempenho da balança comercial brasileira e gerar um aumento da participação das exportações brasileiras no PIB.
Os benefícios dessa melhora seriam sentidos por todos os setores da economia brasileira, pois além de gerar um aumento na demanda interna por insumos utilizados pelo setor exportador, uma maior captação de divisas via exportações poderia levar à redução da necessidade de financiamento externo e à melhora dos fundamentos da economia brasileira.