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SÃO PAULO – O índice de inadimplência das empresas brasileiras apresentou uma queda de 22% em abril ante o terceiro mês deste ano. Essa foi a maior queda verificada desde abril de 2006, quando havia sido registrado um recuo de 22,7% na mesma base comparativa, de acordo com o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, divulgado nesta quarta-feira (27).
Por outro lado, o levantamento mostrou que houve um crescimento de 13,4% na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês de 2008. Apesar de negativo, trata-se da menor elevação desde novembro do ano passado, o que indica que o pior momento, em termos de inadimplência das pessoas jurídicas, em consequência da crise financeira internacional, pode ter ficado para trás. Já no confronto entre os primeiros quatro meses deste ano e o mesmo período de 2008, houve alta de 28,3%.
Tipo de dívida
Ainda considerando o primeiro quadrimestre de 2009, os títulos protestados seguem liderando o ranking, com 41,5% de participação na inadimplência das empresas brasileiras. O percentual, entretanto, foi inferior ao registrado no mesmo período de 2008 (42,4%).
Na segunda colocação, aparecem os cheques sem fundos, com representatividade de 39,3%, na mesma base comparativa. No primeiro quadrimestre do ano passado, o peso na inadimplência desta categoria era de 38,5%.
As dívidas com os bancos, por sua vez, representaram 19,2% do total da inadimplência das empresas nos primeiros quatro meses de 2009. No mesmo período do ano anterior, essa modalidade contribuía com 19,1% de participação.
Valor das dívidas
Se o peso das dívidas com o sistema financeiro foi o menor no total da inadimplência, o mesmo não aconteceu com os valores destas ocorrências: a média dos débitos atingiu R$ 4.594,62 no acumulado entre o primeiro e o quarto mês do ano, o que representa um crescimento de 4,1% frente ao mesmo período de 2008.
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Já a dívida média referente aos títulos protestados ficou em R$ 1.806,40 no período analisado (+23,1%, na mesma base comparativa). Os cheques sem fundos, por sua vez, registraram uma média de R$ 1.445,87 no período, sendo que houve avanço de 14,1%, ante o mesmo período de 2008.
Análise da situação
Para os técnicos da Serasa Experian, a queda na inadimplência das pessoas jurídicas em abril ante março superou o que seria explicado única e exclusivamente por fatores sazonais (menor número de dias úteis em abril), dado que de 2006 a 2008, o recuo médio histórico verificado na passagem de março para abril foi de 10,8%.
No entanto, os especialistas ressaltam que, na comparação entre abril deste ano com o mesmo período do ano passado, ainda houve uma alta bastante significativa. Isso pode indicar que eventuais fragilidades no atual processo de recuperação da atividade econômica poderão recolocar a inadimplência das empresas em trajetória ascendente.
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Metodologia
O Indicador Serasa de Inadimplência de Pessoa Jurídica, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com as instituições financeiras. A divulgação é mensal.