Impulso com mercado de trabalho nos EUA arrefece e Ibovespa registra queda

Após duas sessões consecutivas em alta, temores com relação à Europa se mantêm antes de reunião entre Merkel e Sarkozy

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SÃO PAULO – Após iniciar o pregão em alta, alcançando ganhos de 1,15% nos minutos iniciais do pregão desta sexta-feira (7), o Ibovespa perde força e, às 13h03 (horário de Brasília), já registra uma queda de 0,22%, aos 52.176 pontos, após dois pregões consecutivos em forte alta.

Os primeiros momentos da sessão foram impulsionados pelo Relatório de Emprego nos EUA, o qual revelou a criação de 103 mil postos de trabalho no mês de setembro, face às projeções de 60 mil. O documento também indicou a revisão dos números de agosto, cujos números sinalizavam para nenhuma abertura de vagas, para 57 mil.

Já por aqui a inflação marcou alta de 0,53% no último mês, conforme números compilados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), em linha com as expectativas do mercado. No entanto, o número chama a atenção no acumulado dos 12 meses, o qual sinaliza uma alta de 7,31%, enquanto a meta de inflação do Banco Central para o ano é de até 6,5%.

Por outro lado, o cenário europeu continua em foco, pressionado pelo anúncio por parte da agência de classificação de risco Moody’s, a qual cortou o rating de nove bancos portugueses e de doze britânicos, entre eles o Lloyds Banking Group e o Royal Bank of Scotland. A justificativa é a perda de apoio governamental, enquanto para os de Portugal o argumento é a deterioração no cenário econômico.

Segundo Eduardo Velho, da Prosper Corretora, “esse anúncio pode reforçar um movimento de ajuste técnico do mercado após as altas dos últimos dias”.

Altas e baixas
No pregão desta sexta-feira os destaques de alta e de queda do pregão ficam por conta das empresas de Eike Batista. Do lado negativo, a MMX Mineração (MMXM3) marca recuo de 2,85%, acumulando uma desvalorização de 39,27% no ano, ao passo que os papéis da OGX Petróleo (OGXP3) avançam 4,08%, apesar do declínio de 41,30% no ano.

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 6,82 -2,85 -39,27 31,27M
 FIBR3 FIBRIA ON 14,37 -2,84 -45,09 15,85M
 TAMM4 TAM S/A PN N2 28,31 -2,71 -24,61 5,53M
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,97 -2,67 -23,73 6,46M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,47 -1,97 -57,93 7,95M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 11,74 +4,08 -41,30 196,34M
 JBSS3 JBS ON 3,75 +2,18 -47,70 3,74M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 59,81 +1,98 -12,83 26,23M
 LLXL3 LLX LOG ON 3,67 +1,94 -22,41 6,92M
 CSAN3 COSAN ON 24,10 +1,90 -10,87 6,54M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Alemanha e França divergem
A crise europeia também é pressionada por conta de uma divisão entre Nicolas Sarkozy, presidente da França, e Angela Merkel, chanceler da Alemanha, sobre a utilização do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), uma vez que aquela pretende utilizar o fundo para recapitalizar os bancos, enquanto este defende tal utilização como último recurso, informam agências internacionais.

Tal rumor de desacordo é noticiado às vésperas de uma cúpula entre Merkel e Sarkozy no domingo, na qual devem discutir como se preparar a um possível default grego, lutar contra o contágio nos mercados financeiros e como recapitalizar os bancos, complementam as notícias, as quais citam diplomatas não identificados.

“No cenário atual, mesmo não discutidos, países como Irlanda e Portugal podem retornar ao foco caso a França não tenha sucesso na recuperação do seu sistema financeiro. Por fim, o que nos resta é saber que a recuperação europeia esta tão somente em seus estágios iniciais”, alerta Jason Vieira, analista da Cruzeiro do Sul Corretora.

Câmbio e juros
Com a aceleração da inflação, as taxas dos principais contratos de juros futuros registram, em sua maioria, alta nos prazos mais longos, enquanto nos mais curtos o movimento é de queda. Enquanto isso, o dólar opera com desvalorização de 0,98%, cotado a R$ 1,768, dada as declarações do Banco Central de que agirá prontamente caso detecte desequilíbrios no câmbio.