Impostos aumentaram em 73% para os mais pobres

Segundo pesquisa da Fipe, num período de dez anos, a carga passou de 28,2% para 49% da renda das famílias que ganham até dois salários mínimos

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SÃO PAULO – O que as famílias sentem no bolso foi comprovado por pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP): os impostos estão aumentando ano a ano.

O estudo mostra que 49% da renda da população que ganha até dois salários mínimos (atualmente R$ 700) por mês fica com o governo em forma de tributos. Essa representatividade, que era de 28,2% há dez anos, aumentou em 73% no período.

Impacto

Mas como isso ocorre? Segundo coordenadora da pesquisa, Maria Helena Zockun, a maior parte dos impostos são aqueles embutidos em produtos. “E como as pessoas de baixa renda consomem quase tudo o que ganham, e até mais, contraindo dívidas, acabam pagando mais tributos”, explicou.

Invisíveis

Esses impostos, chamados de invisíveis, por não serem sequer conhecidos pelos consumidores, correspondem ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto Sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), entre outros.

Para se ter uma idéia, conforme a pesquisa, nesse intervalo de tempo, as tributações sobre consumo passaram de 26,5% para 45,8%. Por outro lado, tributos como Imposto de Renda (IR), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que são cobrados diretamente da pessoa, aumentaram de 1,7% para 3,1%.