Impeachment de Dilma e outros 5 eventos que agitarão a próxima semana na Bolsa

Abertura da comissão de impeachment; IPCA de novembro; dados de inflação, produção e vendas do varejo na China e outros eventos que o investidor não pode deixar de acompanhar

Publicidade

SÃO PAULO – O Ibovespa terminou a semana em queda de 1,12%, provocada principalmente pelo forte recuo desta sexta na “ressaca” da euforia de quinta-feira após abertura do processo de impeachment. Nos próximos dias, o ambiente político ficará em evidência como nunca, em meio à abertura da comissão que tratará do processo na Câmara dos Deputados e das preocupações com o Orçamento do ano que vem, já que o surgimento deste novo ponto de tensão dentro do Congresso torna difícil a discussão de qualquer outro tema no parlamento brasileiro. 

Para começar, na segunda-feira (4) às 14h (horário de Brasília) se encerra o prazo para a abertura da Comissão Especial de análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. À noite deste mesmo dia haverá uma sessão extraordinária da Câmara para confirmar a chapa com as indicações dos 65 deputados titulares e 65 suplentes para que, na terça, sejam eleitos o presidente e o relator. Na avaliação do economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, as questões do ajuste fiscal e quaisquer outras votações importantes serão eclipsadas pelos debates nesta comissão. “No Senado as coisas podem até andar em algumas semanas, mas na Câmara nada vai acontecer. Só teremos de ter atenção para as sessões da comissão e todos os passos que devem ser questionados pelo PT no STF (Supremo Tribunal Federal)”, afirma.  

Para ele, isso pode gerar alguma volatilidade no mercado, mas o grosso da correção já teria ocorrido e já está precificado o fato de que o processo será longo, doloroso e paralisará a votação de medidas de corte de gastos ou aumento de tributos. Para ele, no entanto, é importante aceitar que o movimento da quinta-feira foi inequívoco pelo menos em Bolsa (já que DI e dólar tiveram trajetórias menos contundentes): os investidores querem mesmo o impeachment e a mudança de governo para que haja uma mudança radical na política econômica. 

Dentro deste cenário, é inevitável que voltem os rumores sobre um novo rebaixamento do rating brasileiro. “Se não for nos próximos dias vai ser logo, porque eu não vejo por que as agências não cortaram a nota ainda”, avalia o economista da Rio Bravo. De acordo com ele, a realidade está dada: são 3 anos seguidos de déficit fiscal, com a dívida bruta subindo a níveis inéditos. “Não há nada que impeça que as duas [Moody’s e Fitch, que ainda deixam o País um degrau acima do grau de investimento] deem o downgrade”. Já na noite de quinta para sexta, as duas agências alertaram o Brasil sobre o risco de que o impeachment prejudique o ajuste fiscal. 

Mas nem só de política vive a Bolsa e o mercado também olhará para a divulgação de indicadores, os mais importantes deles vindos da China. Na terça-feira (8), sairão os índices de inflação ao produtor e ao consumidor, sendo que ao longo da semana serão divulgados os dados de exportações e importações e a quinta-feira (10) será agitada pelas vendas do varejo e a produção industrial do país. Para Buccini, os números ficam dentro do contexto de desaceleração gradual da economia chinesa, fazendo com que os preços de commodities devam continuar pressionados. Ele espera que o minério de ferro, por exemplo, se mantenha operando em uma banda de US$ 40 a US$ 50. 

Já dados dos Estados Unidos como inflação ao produtor e vendas do varejo devem ficar mais longe do radar dos investidores, uma vez que já está praticamente dado o cenário no país: o Federal Reserve elevará os juros este mês e a única dúvida que ficará é a respeito da intensidade e velocidade deste aperto monetário, que serão dados por uma análise de indicador a indicador. 

Continua depois da publicidade

A seguir, os destaques da agenda econômica semanal:

IPCA (Brasil)
Aqui no Brasil, o principal dado da semana é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de novembro que sai na quarta-feira (9). O economista da Rio Bravo acredita que a inflação vai ser extremamente importante para antecipar os próximos movimentos do Banco Central. Segundo as projeções da Rosenberg Associados, o índice deve ter um crescimento de 0,90% na comparação mensal, após ter avançado 0,82% em outubro. Em 12 meses, o acumulado da inflação deve chegar a 10,50%. O IPCA será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) às 9h. 

PPI e CPI (China)
Na terça-feira (8) às 23h30, a NBSC divulgará o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na silga em inglês). As expectativas medianas do mercado são de uma queda de 6% no PPI de novembro na comparação anual, após um recuo de 5,9% no PPI de outubro e um avanço de 1,4% do CPI no mesmo mês, na base anual, depois do índice registrar uma alta de 1,3% no mês anterior. 

Continua depois da publicidade

Vendas do varejo e produção industrial (China) 
Na próxima sexta-feira (11) às 3h30 da manhã saem pela NBS as vendas do varejo de novembro, que devem apresentar uma expansão de 11,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, pelas expectativas medianas do mercado, após um avanço de 11% em outubro. Já a produção industrial, que será divulgada pela NBS na mesma data e horário, deve ter uma alta de 5,7% em novembro, na base anual de comparação, depois de subir 5,6% em outubro. 

PIB (Zona do Euro)
Após o BCE (Banco Central Europeu) frustrar os investidores ao entregar estímulos menores do que o esperado na reunião da última quinta, a Eurostat divulgará o dado preeliminar do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro. A expectativa da Rosenberg Associados é de um crescimento de 0,3% no terceiro trimestre de 2015 na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, a projeção da consultoria é de um avanço de 1,6%. 

Para ver a agenda completa da semana que vem, clique aqui.

Continua depois da publicidade

É hora ou não é de comprar ações da Petrobras? Veja essa análise especial antes de decidir: