Ruim no curto prazo, mas...

Impasse com trabalhadores no Canadá é negativo para Vale, mas analistas veem solução em breve e mantêm otimismo com ação

Companhia decidiu paralisar atividades de níquel, cobre e cobalto em Sudbury, no Canadá, após falhar em negociações com trabalhadores locais

(Divulgação)

SÃO PAULO –  A notícia de que mineradora Vale (VALE3) decidiu paralisar atividades de níquel, cobre e cobalto em Sudbury, no Canadá, após falhar em negociações com trabalhadores locais, justamente em um momento em que trabalha para agregar mais valor aos seus ativos de metais básicos, foi vista como negativa por analistas de mercado. Contudo, a expectativa é de que as operações sejam retomadas em breve.

A empresa destacou nesta terça-feira que os empregados representados por um sindicato local rejeitaram proposta da companhia para novo acordo coletivo de trabalho de cinco anos. “Isso resultará em uma interrupção das atividades nas operações de Sudbury. Os planos de contingência da Vale foram implementados para preservar a integridade e segurança das usinas e minas”, afirmou. A Vale não informou sobre eventuais desdobramentos da paralisação das atividades.

A companhia quer destravar valor de ativos de metais básicos, cuja demanda tem sido alavancada pelo mercado de transição energética.

Dentre as opções em estudo, executivos da empresa informaram em abril que poderia ser feita uma cisão da unidade de metais básicos e uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Já no comunicado da véspera, a mineradora disse que “está comprometida com a sustentabilidade de longo prazo de seus negócios de metais básicos e suas operações em Ontário”.

O sindicato United Steelworkers Local 6500, que representa 2.600 trabalhadores da mina, disse em comunicado que 70% dos votantes foram contrários à oferta da Vale de acordo coletivo de trabalho e quiseram que a entidade –cujo comitê de negociações recomendou o acordo preliminar – retomasse as conversas com a empresa.

“O que temos é uma mensagem clara dos nossos membros, que nossa equipe de negociações levou de volta à companhia”, disse Kevin Boyd, vice-presidente do USW Local 6500, acrescentando que as conversas estão em andamento.

A mineradora ressaltou ainda que continuará as negociações com trabalhadores “na esperança de que ambos os lados possam encontrar um caminho para a ratificação do acordo em curto prazo”.

No entanto, não apresentou detalhes sobre os motivos apresentados pelos trabalhadores para a ausência de um acordo. Disse apenas que o USW Local 6200, representante dos empregados da produção e manutenção de PortColborne, havia votado pela ratificação do acordo.

A operação de Sudbury é responsável por cerca de 22% da produção total de níquel da mineradora e metade do níquel produzido pela Vale no Canadá. Atualmente, a unidade conta com uma capacidade nominal de 66 mil toneladas de níquel refinado por ano.

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Yuri Pereira e Thales Carmo, analistas da XP, veem um impacto limitado para as ações, uma vez que o referido acordo foi anteriormente aprovado pelo comitê de negociação sindical, de acordo com a Vale. Com isso, acreditam que os problemas sejam resolvidos no curto prazo.

A XP mantém recomendação compra para a mineradora, com preço-alvo para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa americana) de US$ 25, o que corresponde a uma alta de 12% em relação ao fechamento de terça-feira (1). Os analistas apontam que o papel da companhia está negociando com desconto em relação a seus pares e aponta que a forte geração de caixa pode resultar em maiores dividendos.

O Bradesco BBI também aponta que a paralisação é um desenvolvimento negativo para as operações de metais básicos da empresa e deve ofuscar em parte os preços mais altos de cobre e níquel. “Esperamos que a Vale chegue a um acordo em breve, mas observamos que a paralisação não impacta nossa visão positiva da empresa”, apontam os analistas do banco, que mantêm recomendação outperform (exposição acima da média do mercado), também com preço-alvo de US$ 25 para os ativos negociados na Bolsa de Nova York. Veja mais sobre o cenário para a Vale clicando aqui. 

De acordo com compilação da Bloomberg, de 22 casas de análise que cobrem o ADR da companhia, dezenove possuem recomendação equivalente à compra, dois possuem recomendação equivalente à manutenção e com uma recomendação de venda. O preço-alvo médio é de US$ 23,55, o que corresponde a um potencial de valorização de 5,42% em relação ao fechamento de terça.

(com Reuters)

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