Impasse com siderúrgicas chinesas pode ser bom para mineradoras

Salto do minério de ferro no mercado internacional deve influenciar no final; Bradesco projeta upside à Vale

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SÃO PAULO – Desde meados do ano passado, siderúrgicas chinesas e os representantes das três principais mineradoras do mundo (BHP Billiton, Rio Tinto e Vale) tentam entrar em um consenso sobre o preço do minério de ferro para 2009.

Passado o primeiro semestre deste ano, as negociações ainda não cessaram, mas promessas de resolução até este mês são várias, conforme noticiam as agências internacionais. Em meio a esse impasse, os preços no mercado à vista vão subindo, em consonância com a confiança dos investidores quanto à recuperação da economia mundial, trazendo preocupação aos chineses.

Segundos os especialistas, a demora no acordo pode ser maléfica para as siderúrgicas da potência emergente, já que o preço do minério de ferro no mercado spot alcançou a máxima de US$ 82,5 por tonelada.

No passado, as três mineradoras ofereceram um ajuste baseado na cotação de US$ 76 por tonelada, bem abaixo do valor corrente. Contudo, a Cisa, órgão representante das siderúrgicas, não entrou em acordo com as mineradoras e agora se vê em apuros com o prazo expirando.

Bom para as mineradoras

De acordo com uma matéria vinculada pela agência Reuters, as siderúrgicas chinesas estão por conta própria fechando os contratos com os principais fornecedores da matéria-prima, deixando de lado a Cisa.

Entretanto, a recusa nas negociações deve impactar o preço final, que, neste momento, está bem acima do projetado pelas siderúrgicas chinesas. Para o Bradesco, isso pode ser uma notícia favorável às mineradoras, especialmente para a Vale.

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Neste cenário próspero à mineradora brasileira, que pode fechar seu contrato com um preço acima do esperado, os analistas reiteraram sua recomendação acima do mercado para os papéis preferenciais classe A (VALE5) e ordinários (VALE3) da empresa.

Para as ações preferenciais, o preço-alvo estimado é de R$ 40,70, o que garante um potencial de valorização de 36% frente ao fechamento da última sessão. Enquanto aos ativos ordinários, o preço-alvo fica em R$ 47,50, ou seja, upside de 39% na mesma base de comparação.